Em meio ao surto de coronavírus, Cruz Vermelha norte-americana e Ministério da Saúde fazem apelo por doações em tempos de crise

Com a pandemia do novo coronavírus atingindo inúmeros países, diversas nações estabeleceram medidas de isolamento social e fechamento de comércios não essenciais, para evitar os avanços do vírus. Devido a isso, a maior parte da população se mantém dentro de casa, enquanto serviços de abastecimento, farmácias, hospitais, mercados e restaurantes continuam operando.

Apesar de as medidas protetivas auxiliarem no combate ao contágio acelerado do vírus, os esforços feitos para impedir aglomerações nos centros urbanos geraram um problema para o setor de saúde: a queda no número de doações de sangue. Preocupada em não contrair a covid-19, uma parcela da população dos Estados Unidos deixou de realizar doações de sangue, o que gerou um alerta na Cruz Vermelha do país. De acordo com a instituição, mais de 2,7 mil coletas foram canceladas devido às preocupações com o surto de coronavírus.

A diminuição no número de operações fez com que o banco de sangue do país tivesse queda estimada de 86 mil doações. De acordo com os dados da organização sem fins lucrativos, os EUA necessitam de 36 mil unidades diárias de sangue, mesmo em tempos em que não ocorre uma pandemia.

Observando a urgência da situação, a presidente da Cruz Vermelha, Gail McGovern, ressaltou em um comunicado oficial para a imprensa que, em tempos de crise, os cidadãos norte-americanos devem tomar conta uns dos outros, especialmente dos mais necessitados. Segundo a autoridade máxima da instituição, uma pessoa saudável não deve temer e pode ajudar com doações de sangue.

Medidas protetivas

(Fonte: Pixabay)
(Fonte: Pixabay)

Um dos fatores que levaram à queda nos números de doação de sangue foi a preocupação causada nos chamados “grupos de risco” do coronavírus. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), adultos com mais de 65 anos de idade correm mais riscos causados pela covid-19.

Pensando no bem-estar público, a Cruz Vermelha instituiu medidas eficazes para evitar o contágio, entre elas checar a temperatura de todas as pessoas que entram em um ambiente de doação. A febre é um dos sintomas mais marcantes do novo coronavírus, e indivíduos com temperaturas elevadas não devem ficar em espaços fechados com outros.

Além disso, os locais de coleta de sangue devem possibilitar que os doadores fiquem separadas por 2 metros de distância e higienizar tablets e utensílios utilizados para o preenchimento dos questionários necessários. Por fim, a instituição deve controlar todas as operações com horários agendados, evitando que muitas pessoas estejam presentes ao mesmo tempo.

Doação de sangue no Brasil

(Fonte: Pxhere)
(Fonte: Pxhere)

O Ministério da Saúde do Brasil divulgou um comunicado convocando os cidadãos a doarem sangue durante a pandemia. Os dados da pasta do governo apontam que os estoques de sangue no País tiveram queda de 30% a 40% nas últimas semanas, em especial no Estado de São Paulo. O secretário-executivo do ministério, João Gabbardo dos Reis, pediu para que as pessoas agendem horários de doação nos hemocentros regionais e não parem de tomar ações para ajudar a população.

Aqueles que não apresentam sintomas do novo coronavírus estão aptos para a doação desde que se encaixem nos seguintes critérios: ter idade entre 16 anos e 69 anos, pesar mais de 51 quilos, ter dormido mais de 6 horas na noite anterior e não beber nem fumar por 12 horas antes do procedimento.

Ficam impossibilitadas de doar as pessoas que, no período de 30 dias, apresentaram dificuldades respiratórias e febre ou que tenham tido contato com qualquer caso suspeito ou confirmado de covid-19.

O Ministério da Saúde afirmou que os 32 hemocentros do País e os mais de 500 serviços de hemoterapia espalhados pelo Brasil estão preparados com medidas de precaução ao contágio da covid-19. Os locais estão disponibilizando produtos para a lavagem das mãos, antissépticos e outras medidas que impedem a aglomeração de pessoas, focando em higienizar áreas, instrumentos e superfícies para evitar a proliferação do vírus. A pasta destacou que não existem outras alternativas para as doações de sangue e que essa é uma ação essencial para salvar vidas.Fontes: Healthline e Ministério da Saúde