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Um estudo brasileiro publicado pela Nature confirmou que a domperidona, utilizada para tratar sintomas de pacientes com Parkinson, eleva o risco de arritmia cardíaca

Pessoas com doença de Parkinson morrem por diferentes causas, incluindo pneumonia, demência, velhice, câncer, doença cardiovascular e até morte súbita. Segundo Fulvio Scorza, professor associado do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), vice-diretor da Escola Paulista de Medicina e orientador do trabalho, vários estudos demonstram que alterações na função cardíaca podem estar presentes em quase 60% dos casos, e por isso é preciso realizar um acompanhamento regular com cada paciente.

No entanto, autópsias em vítimas de Parkinson sugeriram o envolvimento da arritmia ventricular induzida pela domperidona. Uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e publicada no último dia 20 pela revista Nature teve como objetivo determinar o impacto da dose máxima do medicamento manipulado para seres humanos.

Foram utilizados 36 ratos machos adultos pesando entre 230 gramas e 300 gramas. Em laboratório, eles foram divididos em quatro grupos iguais (6-OHDA, 6-OHDA-D, Sham, Sham-D), mas apenas dois deles (6-OHDA, 6-OHDAD-D) receberam 6-hidroxidopamina, composto responsável pelo modelo da doença de Parkinson nos estudos científicos. Nos outros dois, foi injetado ácido ascórbico, uma substância salina sem resultado para a doença.

Os animais foram monitorados com eletrodos inseridos pela cabeça até o coração (método que garante que o equipamento não seja arrancado pelos roedores), e registros eletrocardiográficos diários de 60 minutos foram realizados. Os pesquisadores avaliaram a reação nos ratos após 3 dias, 5 dias e 2 semanas.

A análise qualitativa mostrou que os modelos que receberam o composto 6-hidroxidopamina tiveram a faixa mais estreita de batimentos cardíacos e a pior distribuição em comparação com todos os grupos analisados, confirmando a sugestão anterior de que o uso de domperidona em pacientes com Parkinson provoca arritmia cardíaca e, consequentemente, morte súbita.

“Depois de cinco dias você já tem uma lesão estabelecida, e podemos analisar a situação do coração com o processo que leva ao Parkinson”, explicou Scorza. “Cada vez mais, as pessoas precisam entender que a doença de Parkinson é neurológica, mas é necessário haver uma convergência entre as especialidades médicas, ou seja, outros órgãos podem estar em sofrimento e precisam ser avaliados, como o coração.”

De acordo com o pesquisador, a mortalidade pela doença de Parkinson aumenta de 2 a 3 vezes depois de 5 a 10 anos do diagnóstico inicial. Por isso, foi preciso procurar o termo morte súbita na literatura acerca da doença.

O trabalho orientado por Scorza envolve outros pesquisadores, como Laís D. Rodrigues, Leandro F. Oliveira, Lucas Shinoda, Carla A. Scorza, Jean Faber, Henrique B. Ferraz e Luiz R. G. Britto. O professor afirma que mais um estudo, desta vez com ratas, está em fase de desenvolvimento. Segundo ele, a incidência da doença de Parkinson em mulheres é menor, sendo que a cada três homens uma mulher é diagnosticada.

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Fontes: Nature, Unifesp, Panorama Farmacêutico