Um elemento do vírus ebola pode eliminar células cancerígenas do cérebro humano

O glioblastoma é o tipo de tumor mais comum e agressivo que acomete o cérebro humano. Por conta disso, ele é bastante difícil de ser tratado e apresenta uma alta taxa de letalidade.

Alguns sintomas que afetam pessoas com essa doença são dores de cabeça, sonolência, alterações na personalidade, visão turva, dentre outros. É importante que o tratamento ocorra o quanto antes, aumentando assim as chances de recuperação.

Entretanto, uma estratégia nada usual pode se tornar uma importante ferramenta no tratamento desse tipo de câncer: o vírus ebola. Mais especificamente, elementos que formam essa doença.

De acordo com o professor de neurocirurgia Anthony van den Pol, da Yale University, em um depoimento para a revista Science Daily, é bastante irônico que um dos vírus mais mortais do mundo possa se tornar útil no tratamento de um dos tipos de câncer mais mortíferos que acometem o cérebro humano.

Resultado de imagem para ebola
(Fonte: Wikipedia/Divulgação)

O ebola pode ser um aliado contra tumores cerebrais?

O estudo, que está sendo realizado na Universidade Yale, nos Estados Unidos, constatou uma peculiaridade entre os tumores: grande parte das células cancerígenas não consegue gerar uma resposta efetiva contra outros invasores do corpo humano, como acontece no caso de vírus.

Por isso, começou a ser analisada a possibilidade de utilizar esse tipo de doença para auxiliar no tratamento de diversos tipos de cânceres, de maneira a não debilitar ainda mais o corpo.

É preciso utilizar esse recurso com cautela, já que pode promover o aparecimento de infecções perigosas. Para driblar esse problema, os pesquisadores estão utilizando vírus quiméricos — criados a partir da junção de vários vírus. Assim, o objetivo é atingir as células que desenvolverem o câncer, mas sem causar danos aos pacientes.

Como o vírus ebola auxiliará

O vírus ebola tem um gene específico que vem chamando a atenção dos médicos e pesquisadores: uma glicoproteína com um domínio de linha mucina, chamada de MLD. Ela atua protegendo as células normais da infecção causada pelo vírus, as ocultando do sistema imunológico. Porém, ela deixa as células cancerígenas expostas à doença, o que ajuda na sua eliminação.

Essa característica influencia a letalidade do vírus ebola, já que ele não consegue ser tratado pelo corpo humano. Entretanto, quando direcionado em laboratório, existe a chance de ele auxiliar no tratamento de outras enfermidades.

O MLD também contribui na manipulação do próprio vírus, impedindo que ele saia do controle dos pesquisadores e médicos. Isso é possível porque ele é replicado menos rapidamente do que aqueles sem esse elemento.

Resultado de imagem para ebola
(Fonte: Wikipedia/Divulgação)

Como o vírus ebola pode ser utilizado na prática?

Os pesquisadores acreditam que seja possível utilizar componentes do vírus ebola durante uma cirurgia para a retirada dos tumores de glioblastoma e, assim, auxiliar efetivamente no tratamento da doença.

O estudo foi financiado pelo Instituto Nacional do Câncer dos Institutos Nacionais de Saúde e fornece altas expectativas para um tratamento mais efetivo de um dos cânceres mais letais do mundo.

Fontes: Science Daily.