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A esclerose múltipla é uma doença neurológica desmielinizante autoimune crônica, que acontece quando o sistema imunológico ataca a bainha de mielina, uma estrutura rica em lipídios responsável por recobrir os neurônios.
A enfermidade está relacionada ao mau funcionamento do sistema imunológico, que acaba atacando essa capa de tecido adiposo responsável por proteger as células nervosas. Entre os órgãos e estruturas mais afetadas estão: o cérebro, o tronco cerebral, os nervos ópticos e a medula espinhal.
Anteriormente, o seu desenvolvimento era uma incógnita, mas, de acordo com um estudo feito na Universidade Harvard (Londres) e publicado na revista Science, existe a possibilidade de o vírus Epstein-Barr estar diretamente ligado ao aparecimento da doença.
Como foi feito o estudo?
Foram analisadas amostras de sangue de 10 milhões de militares, a partir de um acervo mantido pelo exército militar dos Estados Unidos, que coletava o sangue a cada dois anos.
Entre os examinados, foi possível encontrar 955 pessoas com esclerose múltipla. Por conta da constância dos exames de sangue, foi possível traçar o curso e a evolução da doença.
De acordo com os dados pessoais daqueles que foram infectados pelo Epstein-Barr, eles tinham um risco 30 vezes maior de desenvolver esclerose múltipla. Alguns dos soldados que sofrem da enfermidade foram diagnosticados cinco anos após a contaminação pelo vírus, ou seja, as evidências fortalecem a teoria de que o vírus pode estar relacionado com casos da doença.
Sintomas e diagnóstico
Os sintomas começam levemente, com pequenas turvações da visão ou alterações no controle de urina e normalmente duram poucas semanas no início, dificultando o diagnóstico.
Com o agravamento da condição de saúde podem surgir sintomas sensitivos, motores e cerebelares, como fraqueza, desequilíbrio, tremor, formigamento nas pernas ou de um lado do corpo, visão dupla, perda visual prolongada e descontrole dos esfíncteres. Depois de um tempo, a doença compromete os movimentos de forma geral.
Por conta dos sintomas que aparecem e somem serem bastante amplos, a esclerose múltipla é difícil de reconhecer em alguns casos. Entretanto, o diagnóstico costuma ser feito de maneira clínica, além de ser confirmado por exames de imagem, que também auxiliam no acompanhamento do progresso da doença.
Tratamento
Como a esclerose não tem cura, o tratamento objetiva melhorar a qualidade de vida do paciente. Logo, busca-se deixar mais curtos os períodos de crise, por meio do uso de corticosteroides. Além disso, médicos tentam aumentar o intervalo entre os surtos, o que acontece pelo uso de imunossupressores e imunomoduladores.
Em cada etapa de evolução da esclerose, os médicos aconselham diferentes estilos de vida. No início, recomenda-se fazer exercícios físicos normais. Com o comprometimento dos movimentos, a dica é manter o tratamento medicamentoso e a fisioterapia. E, quando a doença já está mais evoluída, o paciente deve intensificar o repouso.
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Fonte: Drauzio Varella, Hospital Israelita Albert Einstein, ABEM