Modelo no combate ao tabagismo, sistema de saúde traz novas ferramentas para tratamento

Segundo a Sociedade de Pneumologia e Tisiologia, o tabagismo é uma doença crônica proveniente do uso de produtos derivados do tabaco, como o cigarro, e necessita de acompanhamento médico para tratar a dependência. O Sistema Único de Saúde (SUS), além do tratamento usual, disponibiliza terapias alternativas que oferecem mais opções para cumprir o processo.

Dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o tabaco é responsável pela morte de mais de 8 milhões de pessoas por ano, dos quais 7 milhões são fumantes ativos, que fazem uso direto do produto, e mais de 1 milhão correspondem a fumantes passivos, que estão em contato com a substância em ambientes em que há fumantes ativos.

O uso do tabaco tem grande relação com questões sociais e econômicas. No passado, principalmente nos filmes de Hollywood, era comum a associação entre status e cigarro, levando a entender que quem fumasse teria uma vida mais glamourosa, com maior charme.

Passado o tempo, com sanções postas ao mercado, o consumo achou seu grande ponto de distribuição em países mais pobres, como apontam os dados da OMS. Segundo a organização, 80% dos fumantes do mundo (1,1 bilhão) são provenientes de países com rendas baixa e média.

Tabagismo (Fonte: Pixabay/Reprodução)

(Fonte: Pixabay)

O tabagismo é entendido pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) como uma doença pediátrica, porque a taxa de pessoas que começam a fumar antes dos 18 anos é de 80%. O mais preocupante é que no Brasil 20% do total de fumantes começam antes dos 15 anos, período que compromete o pleno desenvolvimento do adolescente e pode gerar malefícios para a vida inteira.

Dados do Inca ainda revelam que morrem 428 pessoas por dia no País em decorrência da dependência de nicotina; todo ano, mais de 150 mil mortes poderiam ser evitadas se fossem tratadas de forma eficiente. As doenças cardíacas derivadas do tabagismo são responsáveis por quase 35 mil mortes anuais, com a doença pulmonar crônica sendo a responsável por mais de 31 mil óbitos.

Devido a essa grande problemática de saúde pública, nos 26 estados e no Distrito Federal o SUS tem unidades que oferecem tratamento gratuito aos dependentes interessados em deixar de fumar.

Os Centros de Referência em Abordagem e Tratamento do Fumante (Craft) foram criados em 2002 e desde então têm disponibilizado consultas e sessões de grupo de apoio, além de medicamentos. O acompanhamento é feito por profissionais de saúde capacitados para dar suporte a quem quer largar o vício.

Nas unidades que disponibilizam medicação, o tratamento é feito com adesivos e gomas de mascar, ambos de nicotina. Há também a utilização da bupropiona, um antidepressivo usado para combater os sintomas de abstinência.

Tabagismo (Fonte: Pixabay/Reprodução)

(Fonte: Pixabay)

O SUS disponibiliza terapias alternativas que trabalham o corpo, fazendo com que o paciente perceba que a busca pela saúde vai além da medicação. Em São Paulo, por exemplo, são oferecidas acupuntura e tai chi chuan, práticas que fazem com que a sensação de prazer e bem-estar aumente, facilitando o relaxamento e tornando o tratamento muito mais eficiente, com maior engajamento do paciente.

Há anos o Brasil vem trabalhando na luta contra o tabagismo, tanto que hoje é considerado um dos modelos no combate ao fumo. Segundo a OMS, o Programa Nacional de Controle do Tabagismo, criado em 1986 sob a responsabilidade do Inca, é um dos melhores do mundo.

Levando em conta os 12 últimos anos, segundo pesquisa realizada pela Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), o consumo de tabaco teve queda de 40%, mostrando que entre a população entrevistada apenas 9,3% se declararam fumantes.

A OMS aponta que a proibição da publicidade ajuda muito no combate ao tabagismo. Segundo a organização, quando se aumenta a promoção do tabaco na mídia cresce a probabilidade de as pessoas começarem a fumar, além de tornar mais difícil que um fumante largue o vício. Outras medidas de grande eficácia são os altos impostos e o uso de imagens fortes nas embalagens.

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Fontes: Instituto Nacional de Câncer, Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana da Saúde.