Ioga pode ser utilizada para auxiliar pacientes cardíacos

14 de setembro de 2020 4 mins. de leitura
Segundo estudo, atividade física reduz episódios de fibrilação arterial e aumenta disposição no dia a dia

A ioga traz muitos benefícios para a saúde, como a redução da ansiedade. Mas os benefícios dessa prática milenar podem ir muito além do que se pensa e incluir até a melhora de sintomas em pacientes com problemas de coração. Uma pesquisa, com descobertas muito interessantes sobre esse assunto, foi apresentada no final de agosto, no congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC, na sigla em inglês). 

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A pesquisa foi realizada por profissionais de um hospital em Jaipur, na Índia, com pacientes que possuem fibrilação atrial, um dos tipos mais comuns de arritmia cardíaca. Durante o período em que praticaram ioga, os participantes do estudo apresentaram um número muito menor de episódios de sua doença: apenas 8, contra 15 do período em que não fizeram os exercícios. 

Homem com mãos no peito
Fibrilação atrial é um dos tipos de arritmia cardíaca mais comuns. (Fonte: Freepik)

Melhor qualidade de vida

De acordo com a ESC, a fibrilação atrial atinge um a cada quatro adultos de meia-idade na Europa e nos Estados Unidos. Os seus sintomas incluem palpitações, pulsação irregular do coração, falta de ar, cansaço, dor no peito e tontura. 

A condição é responsável por 20% a 30% dos derrames, além de aumentar o risco de morte em 1,5 vez em homens e 2 vezes em mulheres. Sendo que, de 10% a 40% dos pacientes com esse problema precisam ser hospitalizados a cada ano. 

“Os sintomas da fibrilação atrial podem ser estressantes. Eles vêm e vão, fazendo com que muitos pacientes fiquem ansiosos e tenham suas habilidades de viver uma vida normal limitadas”, afirmou o autor do estudo, Dr. Naresh Sen, em nota da Sociedade Europeia de Cardiologia. 

Ao longo do estudo, os participantes foram instruídos a manter um diário e a responder questionários sobre ansiedade e depressão. Entre outras questões, foram observadas melhoras sensíveis nas habilidades de realizar as atividades do dia a dia ou de socializar, bem como no humor e nos níveis de energia dos pacientes. 

“Nosso estudo sugere que a prática da ioga oferece uma ampla gama de benefícios às saúdes física e mental para pacientes com fibrilação atrial e pode ser adicionada às terapias usuais”, completa o Dr. Sen. 

De fato, práticas como o ioga são recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e, inclusive, são oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) dentro de um conjunto de recursos conhecidos como Práticas Integrativas Complementares (PICS), que podem auxiliar em tratamentos para doenças variadas. O número de pessoas buscando esse tipo de terapia na rede pública brasileira aumentou de 216 mil para 315 mil entre 2017 e 2018.

Mulher praticando ioga e cachorro deitado
Ioga melhora o humor e diminui os sintomas de pacientes. (Fonte: Pexels)

Entenda como funcionou o estudo

A equipe do Dr. Naresh Sen, do HG SMS Hospital, em Jaipur (Índia), realizou a pesquisa em 538 pacientes com fibrilação atrial, entre 2012 e 2017. Os 538 participantes foram acompanhados durante 12 semanas sem praticar ioga. Depois disso, eles passaram por um período de 16 semanas, em que realizaram sessões diárias de 30 minutos de exercícios de respiração e postura. Além disso, nesse período, os pacientes foram incentivados a praticar os exercícios em casa. 

Desse modo, os próprios pacientes atuaram como grupo de controle do estudo, permitindo comparações entre os períodos com e sem ioga. Durante ambos, os pacientes precisavam registrar os sintomas e os episódios da fibrilação atrial em um diário, além de preencher um questionário sobre ansiedade e depressão — com objetivo de entender como estava a energia e o humor dos pacientes para a realização de tarefas diárias. Além disso, alguns participantes do estudo utilizaram um monitor cardíaco, para estudar os episódios de fibrilação atrial de forma mais profunda.

Na comparação dos resultados entre o período sem ioga (12 semanas) e o com (16 semanas), os pesquisadores observaram um número muito menor de episódios sintomáticos de fibrilação atrial (15 contra 8, respectivamente), além de uma queda importante na pressão arterial. Em nota, a Sociedade Europeia de Cardiologia afirmou que “os pacientes experimentaram melhoras significativas em todas as áreas, em comparação com o período de 12 semanas sem ioga”.

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Fontes: Sociedade Europeia de Cardiologia.

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