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Novo estudo aponta que mudanças climáticas afetam diretamente a saúde das pessoas com aumento da permanência da poluição no ar

Se a emissão de gases de efeito estufa continuar seguindo a tendência atual, o aquecimento global poderá causar 60 mil mortes extras até 2030, podendo chegar a 260 mil óbitos até 2100. Essa é a conclusão do estudo mais abrangente já realizado sobre os impactos das mudanças climáticas na qualidade do ar e na saúde pública.

O artigo, publicado na revista científica Nature Climate Change, foi escrito a partir de uma série de pesquisas conduzidas por cientistas dos Estados Unidos, da França, do Japão e da Nova Zelândia. A maioria dos modelos estudados mostrou aumento nas mortes prováveis.

Cerca de 7 milhões de pessoas falecem devido à poluição do ar todos os anos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). As principais patologias decorrentes são acidente vascular cerebral, doença cardíaca, doença pulmonar obstrutiva crônica, câncer de pulmão e infecções respiratórias agudas. Mais de 80% daqueles que vivem em áreas urbanas com monitoramento de poluição estão expostos a níveis de qualidade do ar acima dos limites das diretrizes da OMS.

Movimentação dos ventos

Clima mais seco e quente aumenta concentração de poluentes no ar próximo à superfície. (Fonte: Shutterstock)

A mudança climática altera as correntes de ar que movem a poluição entre continentes e entre as camadas mais baixas e mais altas da atmosfera. Quanto menos o ar se movimenta, mais as temperaturas sobem e a precipitação de chuvas diminui, criando um tempo mais quente e seco.

Menos chuva e mais calor significam que a poluição permanece no ar por mais tempo, criando problemas de saúde. A mudança climática global deve aumentar a quantidade de ozônio no nível do solo e a poluição por partículas finas que respiramos, o que pode levar a mais doenças, com problemas pulmonares, cardíacos e derrames.

Ciclo vicioso

Áreas mais quentes e secas também produzem mais ozônio. A substância é criada de forma indireta, quando a poluição química, como emissões de carros ou fábricas, reage na presença da luz solar. O ozônio próximo da superfície, diferentemente do topo da atmosfera, é prejudicial, pois reflete os raios solares, provocando mais aquecimento.

Regiões com temperaturas altas e clima seco propiciam a suspensão de partículas finas, uma mistura de pequenos sólidos e gotículas que incluem carbono preto, carbono orgânico, fuligem, fumaça e poeira. Essas substâncias são emitidas pela indústria, por transporte e fontes residenciais e são conhecidas por causar doenças pulmonares.

Embora partículas finas e ozônio sejam naturais, a atividade humana aumentou a sua ocorrência, alcançando níveis responsáveis por alimentar um ciclo vicioso de crescimento de poluição. A contaminação por ozônio levou a 500 mil mortes somente em 2017, de acordo com dados de relatório do State of Global Air.

Projeção de impactos

Poluição do ar aumenta incidência de problemas pulmonares, cardíacos e vasculares cerebrais. (Fonte: Shutterstock)

Em um estudo anterior, pesquisadores projetaram as mortes relacionadas à poluição do ar entre 2000 e 2100 com base no mais pessimista desses cenário. Agora, a publicação utiliza nove simulações químico-climáticas para traçar um panorama mais equilibrado e realista dos impactos do aumento de poluentes em decorrência do aquecimento global na saúde pública.

Na nova pesquisa, os cientistas isolaram os efeitos das mudanças climáticas na poluição global do ar, com simulações para 2030 e 2100. As alterações projetadas de poluentes atmosféricos devido às variações climáticas foram usadas em um modelo de avaliação de riscos à saúde que leva em consideração o crescimento populacional, a suscetibilidade de uma população a problemas de saúde e como isso pode mudar ao longo do tempo, além do risco de mortalidade por doenças respiratórias, cardíacas e câncer de pulmão.

Resultados da pesquisa

Os pesquisadores estimam que as mudanças climáticas causarão aumento de 14% na mortalidade relacionada ao ozônio até 2100. Ao mesmo tempo, identificaram redução de 16% para óbitos relacionados a partículas finas. Segundo as projeções, as mortes prematuras aumentam em todas as regiões do mundo, exceto na África. "Os impactos são maiores na Índia e no leste da Ásia", escreveram os pesquisadores.

"O uso de vários modelos torna os resultados mais robustos do que o uso de um único padrão. Há uma série de resultados entre os nove modelos usados aqui, com alguns estimando que as mudanças climáticas podem diminuir as mortes relacionadas à poluição do ar", afirmaram os cientistas.

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Fontes: Organização Mundial de Saúde (OMS), The Conversation, Nature Climate Change, WRI Brasil e State of Global Air.