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Resultados da pesquisa apontam que o aparelho pode potencializar a transmissão de gotículas contaminadas

As universidades e os centros de pesquisa ao redor do mundo têm se debruçado sobre as questões envolvendo a proliferação e a cura do Sars-CoV-2, nome científico do novo coronavírus. Um estudo realizado por cientistas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças de Guangzhou, na China, apresentou um dado alarmante: os aparelhos de ar-condicionado podem ser um veículo eficiente na propagação do vírus.

Sabe-se que a circulação de ar é importante para que o vírus não permaneça nos ambientes. Durante o inverno, mesmo diante de riscos mais moderados, como a gripe comum, medidas como essa já costumam ser adotadas no transporte coletivo ou em instituições com grande circulação de pessoas.

Dessa forma, a hipótese de que o ar-condicionado amplia a transmissão do novo coronavírus pode exigir medidas mais duras em ambientes mal arejados e sem janela, onde a opção pelo ar-condicionado é imprescindível.

(Fonte: GagliardiPhotography / Shutterstock)

Os aparelhos de ar-condicionado são adotados, sobretudo, em ambientes maiores, como supermercados e hospitais. Caso o impacto desse instrumento seja de fato o sugerido pela pesquisa chinesa, que ainda carece de avaliação e debate na comunidade científica, ir a um desses locais pode representar um risco relevante. Bastaria que um cliente ou paciente contamine o espaço para que o ar-condicionado amplie a capacidade de circulação do agente infeccioso.

O estudo levanta novas reflexões, pois, embora o isolamento seja o melhor antídoto contra a proliferação da covid-19, sair de casa pode ser uma necessidade para alguns — seja para trabalhar, no caso de atividades essenciais, seja para comprar alimentos e remédios. Isso motivou a revista Emerging Infectious Diseases a publicar os resultados iniciais de uma pesquisa preliminarmente, sem a avaliação final dos pareceristas prevista para julho deste ano.

Corrente de ar

(Fonte: Shutterstock)

A pesquisa feita pelos pesquisadores chineses analisou um caso de contaminação em um restaurante de Guangzhou, capital do distrito chinês de Guangdong. Além de populosa — abriga 15 milhões de habitantes — , a cidade tem um centro portuário e fica próxima a Hong Kong. No entanto, não se consolidou como um epicentro importante de contaminação, o que permitiu à epidemiologia local conectar os casos e localizar o restaurante como o provável espaço de transmissão entre três famílias que frequentaram o local em 24 de janeiro deste ano.

Analisando a disposição das mesas e cadeiras no ambiente, que não tinha janela, percebeu-se que a contaminação da doença coincidia com as pessoas que estavam sentadas no caminho percorrido pela corrente de ar que saía do equipamento. Mesmo assintomático, confirmou-se que um dos comensais ejetou microgotículas, e estas provavelmente foram espalhadas pelo ar-condicionado.

Outras pessoas dessas famílias também adoeceram pela covid-19, mas posteriormente. Por isso, acredita-se que as pessoas mais próximas da corrente foram contaminadas em um primeiro momento e, após alguns dias, transmitiram a doença para os demais membros de suas casas.

A recomendação mais importante do estudo é aumentar a distância entre as mesas e melhorar a ventilação nos restaurantes e lanchonetes. Isso reforça o fato de que gotículas pequenas (como as apresentadas pelo paciente assintomático inicial) não são capazes de causar a transmissão se a ventilação local for natural. Por serem pequenas e não circularem além de um metro, que era a distância entre as mesas, o vírus não teria chegado a infectar as demais pessoas no estabelecimento se estivesse sem o fluxo de ar do equipamento.

Fonte: Exame, Estudo e Wiki