Pesquisa revela que 80% dos estudantes do 9º ano já consumiram algum tipo de substância psicoativa

Um estudo realizado pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) indica que cerca de 80% dos alunos do nono ano do Ensino Fundamental já consumiram algum tipo de substância psicoativa. As causas e os riscos do uso de drogas por pessoas tão jovens ainda estão sendo estudados, mas alguns fatores que influenciam o quadro já podem ser apontados.

O uso de substâncias psicoativas por jovens

A pesquisa "Uso de substância e envolvimento em situações de violência: um estudo tipológico em amostra brasileira", do Grupo de Estudos e Pesquisa em Desenvolvimento e Intervenção Psicossocial (GEPDIP), teve como objetivo analisar o envolvimento de adolescentes que fazem uso de algum tipo de substância psicoativa em casos de violência e problemas de saúde.

O estudo se baseou em dados de mais de 100 mil estudantes com idades entre 13 anos e 15 anos que responderam à Pesquisa Nacional de Saúde Escolar feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os pesquisadores verificaram que cerca de 80% dos entrevistados já haviam utilizado algum tipo de droga.

Em entrevista para o Jornal da USP, André Vilela Komatsu, um dos autores da pesquisa, enfatiza que o uso de drogas precisa ser discutido e resolvido logo no início. Segundo ele "são questões que, se não forem resolvidas agora, vão custar muito mais caro lá na frente, tanto para os jovens quanto para a sociedade". Para solucionar essa questão, é necessário compreender o que leva os alunos a fazerem uso de narcóticos.

Quais são as causas do uso de drogas?

(Fonte: Shutterstock)

O uso de drogas é constantemente investigado e suas causas são bastante relativas, porém os fatores mais comuns são emoções e sentimentos associados a um intenso sofrimento psíquico, como depressão, culpa, ansiedade e baixa autoestima. De acordo com o estudo "O adolescente e o uso de drogas", publicado por Ana Cecília Petta Roselli Marques e Marcelo S. Cruz, a pressão exercida por amigos também pode influenciar o uso das substâncias, pois nessa idade a necessidade de aceitação e identificação com um grupo faz com que os jovens optem por fazer escolhas perigosas.

Outro fator decisivo é a disfuncionalidade familiar. Muitas vezes, os jovens passam por situações de grande pressão e não encontram suporte na própria família; portanto, quando precisam buscar apoio emocional ou ajuda para iniciar um tratamento, não se sentem apoiados. Consequentemente, a avaliação inicial que pode ajudar a melhorar o prognóstico não acontece.

Riscos do uso de substâncias psicoativas

A pesquisa realizada pelo GEPDIP indica que os usuários recorrentes de drogas estão envolvidos em situações de violência física e psíquica, em especial de abuso sexual — sendo as vítimas, nesse caso. Então, entende-se que quanto maior for o uso de substâncias psicoativas, maior será o risco de esses adolescentes sofrerem com casos violências.

A pesquisa explica que isso acontece porque os jovens se tornam ainda mais frágeis quando fazem uso de qualquer substância psicoativa, e dessa forma os cuidados de autopreservação acabam sendo deixados de lado.

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(Fonte: Unsplash)‌‌

Por conta disso, o trabalho propõe a criação de mecanismos que sejam capazes de identificar esses problemas já nos estágios iniciais. Uma forma de isso acontecer é com a criação de políticas públicas que promovam a capacitação de equipes escolares. Na opinião de Komatsu, a escola precisa ser mais acolhedora, capaz de rastrear qualquer problema relacionado ao abuso de substâncias e à violência contra crianças e adolescentes.

Outra forma de diminuir o uso de drogas entre estudantes seria com o aumento de oportunidades de lazer e cultura. De acordo com os pesquisadores do GEPDIP, se os jovens tiverem opções que estimulem seu desenvolvimento, passarão a investir mais tempo nessas atividades, o que consequentemente seria capaz de diminuir o contato com drogas ilícitas.

Fontes: Jornal USP.