Olfato canino pode ser grande aliado da medicina, inclusive para detectar casos de convulsões

Os cães são conhecidos como melhores amigos do homem devido ao seu companheirismo inalterável. Contudo, essa parceria de longa data envolve mais do que vínculo afetivo entre os donos e seus cachorros. Atualmente, a medicina tem atuado com o auxílio dos animais de forma inusitada: utilizando o seu olfato para detectar doenças.

Há muito tempo, eles já vêm contribuindo para a área da saúde em tratamentos terapêuticos ou prestando assistência para guiar indivíduos com deficiência visual. Mas, de acordo com estudos recentes, os cães podem ir bem além.

O Medical Detection Dogs, em parceria com diversos cientistas, criou uma nova frente de atuação médica, que nasceu a partir de pesquisas colaborativas focada em treinar cachorros para ajudar na detecção de doenças. No treinamento, os animais aprendem a reconhecer o odor de determinadas enfermidades, como o câncer.

(Fonte: Shutterstock)

Ação e prevenção

A partir do treinamento adequado, os cachorros podem ser grandes aliados na prevenção e na detecção precoce de doenças. Muitos deles, por exemplo, são capazes de identificar baixos níveis de açúcar no sangue de pessoas diabéticas, contribuindo para evitar o agravamento da condição.

Dessa forma, o seu dono é alertado antes mesmo de ter uma crise, desmaiar ou convulsionar. Além disso, estudos recentes comprovaram que, também por conta do olfato aguçado dos animais, eles seriam capazes de prever ataques epiléticos.

Mas, o caso de maior destaque documentado foi o diagnóstico de malária. O Medical Research Council in Gambia realizou um estudo no qual foram entregues centenas de meias de nylon a crianças de 5 a 14 anos de idade. Todas deveriam dormir com as peças e as devolver no dia seguinte.

Depois disso, as meias foram enviadas para o Medical Detection Dogs e usadas por cerca de quatro meses no treinamento dos cães, que se mostraram capazes de identificar o odor da malária em 70% dos casos. E isso inclui crianças que ainda não apresentavam sintomas, ou seja, ainda em seu estado dormente (apenas pela presença do parasita no organismo).

Cães e o câncer

No caso do câncer, os odores corporais nem sempre são suficientes. Os estudos atuais se baseiam em amostras de sangue, com o intuito de criar testes mais eficazes, rápidos e não invasivos para diagnósticos precisos.

Em 2019, a Sociedade Americana de Bioquímica e Biologia Molecular apresentou, experimentos com 97% de precisão na identificação de amostras positivas para câncer de pulmão.

(Fonte: Pixabay)‌‌

Além da criação de novos testes diagnósticos, a medicina investigativa com cães pode descobrir maneiras alternativas de lutar contra epidemias. Os animais treinados são excelentes ajudantes para evitar o contágio e iniciar tratamentos precoces.

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Fontes: Medical Detection Dogs, Estadão, Wired.