Para que os devidos cuidados com a saúde sejam tomados, é essencial que a relação entre médico-paciente seja clara

Simpatia, sensibilidade e empatia são algumas das habilidades necessárias para um bom atendimento médico. A didática é um aspecto igualmente importante, mas nem sempre é lembrada. O termo, segundo o dicionário Michaelis, é definido como "técnica ou arte de ensinar, de transmitir conhecimentos". No contexto da medicina, ela pode ser entendida como a capacidade do médico de orientar seus pacientes de forma que eles compreendam todas as recomendações.

Como a didática se aplica à medicina?

(Fonte: Shutterstock)

Para realizar seu trabalho, os médicos precisam estudar muito, além de se manterem atualizados com relação às novas pesquisas de sua área. Em meio a tanto conhecimento, alguns conceitos podem parecer óbvios e corriqueiros.

Contudo, pela perspectiva do paciente, todas as palavras ditas pelo médico podem estar completamente fora de sua compreensão, principalmente se ele utilizar termos técnico-científicos durante a consulta. Levando isso em conta, é essencial que o profissional saiba como adaptar seu conhecimento para uma linguagem que seja acessível. Afinal, mais do que sair com uma receita em mãos, o paciente precisa compreender completamente o que foi dito pelo médico, de acordo com suas próprias referências.

E as referências de uma empresária pós-graduada e moradora de uma grande cidade provavelmente serão diferentes das de uma lavradora não alfabetizada da zona rural de um pequeno município. Ambas podem (e precisam) compreender seu diagnóstico e as orientações médicas, mas farão esse processo de compreensão de formas diferentes, de acordo com suas referências e seus contextos de vida. Logo, a explicação do médico também deve ser adequada a cada situação.

Comunicação clara

Um estudo realizado por pesquisadoras da Universidade Estadual do Ceará avaliou a opinião de médicos e pacientes sobre os atendimentos em uma Unidade de Saúde da rede pública de Fortaleza. Alguns profissionais relataram que é necessário ter muita paciência e repetir uma mesma recomendação de formas diferentes para que os pacientes compreendam. Por outro lado, os pacientes elogiaram muito mais os médicos que os tratam "de igual para igual".

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É interessante observar um atendimento, transcrito no estudo, em que uma médica explica de modo bastante simples o que é a tireoide, onde ela fica e em que ela influencia, para uma senhora com baixo grau de instrução. Sem surpresa, esse tipo de atendimento foi o mais bem avaliado pelos frequentadores da Unidade de Saúde.

Mas não é apenas em regiões pobres do Brasil que explicações mais acessíveis se fazem necessárias.

Em um tópico, em inglês, no fórum online Reddit, médicos e outros profissionais de saúde relataram as coisas mais "óbvias" que tiveram que explicar para pacientes. Embora algumas histórias pareçam exageradas, os comentários demonstram a relevância de esclarecimentos sobre alguns procedimentos comuns, como o modo correto de utilizar medicamentos por via oral, pois certos cuidados são realmente necessários antes de um procedimento, entre outros pontos.

Em resumo: por mais óbvia que uma questão seja para o médico, talvez seja preciso detalhá-la para o paciente.

Como ter boa didática no consultório?

O primeiro passo é ter empatia com o paciente: colocar-se em seu lugar e procurar entender como ele pode assimilar melhor as informações. Um profissional de saúde pode atender vários perfis, então é essencial boa percepção para saber lidar com todos eles.

Em segundo lugar, é interessante evitar termos técnico-científicos complicados, já que eles podem não fazer sentido para quem não é da área. Use analogias e procure dar exemplos práticos, se possível adaptando-os para o contexto da pessoa que está sendo atendida.

Outra técnica indicada para melhorar o entendimento no consultório é a Comunicação S.C.O.T. Essa metodologia é muito utilizada no atendimento a clientes em empresas, mas pode muito bem ser adaptada para os consultórios médicos. De acordo com ela, quem lida com o público precisa sempre falar com segurança, clareza, objetividade e transparência.

Por fim, é válido observar também que essas técnicas são desenvolvidas com o tempo, conforme o profissional passa por diferentes situações e analisa o que funciona ou não com seus pacientes. Vale lembrar, ainda, que sempre é possível procurar cursos livres para aprender novas técnicas de atendimento.  

Fontes: My Start Clinic, Reddit, Revista Physis.