Como a nova pandemia passou a gerar consequências para a saúde feminina

Nos Estados Unidos, a pandemia de coronavírus está afetando o acesso das mulheres a serviços importantes para a saúde. Estudos apontam que elas correm maior risco de desenvolver problemas psicológicos, e evidências indicam que o bem-estar sexual e reprodutivo também está sendo atingido pela crise causada pela covid-19.

Diferença de gênero

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A principal causa para esses riscos pode ser a diferença social entre os gêneros, devido aos estereótipos atribuídos ao sexo feminino, combinados com o aumento da violência doméstica e a baixa autonomia financeira. Antes da pandemia, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), as mulheres já prestavam três vezes mais cuidados não remunerados e trabalhos domésticos do que os homens.

Um relatório do Instituto Guttmacher sugere que o fechamento das escolas durante a pandemia aumentou as responsabilidades de cuidado com as crianças que as sociedades tradicionalmente atribuem às mulheres. A pandemia “colocou pressão e demanda adicionais em mulheres e meninas” ao deixar 1,52 bilhão de estudantes em casa como resultado da quarentena para a covid-19.

Além disso, estudos recentes mostram que as mulheres estão em maior risco de sofrer com problemas mentais. Isso é resultado do cuidado de pacientes infectados com Sars-CoV-2 em serviços hospitalares, pois elas tendem a dominar os papéis de atendimento médico.

Supressão de direitos da saúde da mulher

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O número insuficiente de líderes femininas deixa as mulheres em desvantagem. Nos EUA, a dinâmica de poder existente em nível político resultou em decisões que podem comprometer o bem-estar reprodutivo das mulheres. Em vários estados, funcionários do governo tentam proibir a maioria dos abortamentos, ainda que sejam autorizados pela Justiça.

A decisão tem sido tomada com a alegação de preservar leitos hospitalares e outros recursos em instalações médicas necessárias durante a pandemia. No entanto, especialistas em reprodução contestam as medidas adotadas sem embasamento legal. O Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas divulgou recentemente uma declaração sobre a importância da realização desses procedimentos mesmo durante o surto de covid-19.

Cuidado essencial

Estudos sugerem que gestações indesejadas em geral estão associadas a problemas mentais, e especialistas descobriram aumentos significativos de depressão, em curto e longo prazos, quase 20 anos depois em mulheres que tiveram partos não desejados.

Fonte: Medical News Today.