Durante o período de isolamento, atendimentos odontológicos devem ser restritos a casos emergenciais

Em 31 de março, o Conselho Federal de Odontologia (CFO) publicou orientações sobre como os serviços odontológicos devem acontecer durante a pandemia da covid-19. O documento traz formas de reduzir a contaminação pelo vírus em consultórios, além de protocolos de higiene bucal que devem ser adotados com pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), incluindo alertas de procedimentos que podem aumentar o risco de morte e disseminação do vírus.

“A assistência odontológica apresenta um alto risco para a disseminação do novo coronavírus (Sars-CoV-2), pela alta carga viral presente nas vias aéreas superiores e devido à grande possibilidade de exposição aos materiais biológicos, proporcionado pela geração de aerossóis durante os procedimentos”, explica o documento do CFO.

Dessa forma, apenas consultas emergenciais devem ser atendidas pelos dentistas, já que trazem risco à vida, como sangramento descontrolado, bactéria difusa em partes moles, infecção intraoral ou extraoral com inchaço que comprometa as vias aéreas, bem como traumas faciais que resultam nesse mesmo problema.

Cuidados com a escovação e a saúde bucal devem ser ampliados
Cuidados com a escovação e a saúde bucal devem ser ampliados. (Fonte: Jenny Friedrichs/Pixabay)

Também estão liberados procedimentos de urgência, que, apesar de não colocarem a vida do paciente em risco, necessitam de atendimento prioritário. Nesse grupo estão dor aguda, pericoronarite, alveolite, abcessos, fraturas que geram dor ou trauma nos tecidos moles, cimentação de coroas ou próteses fixas, biópsias, finalização de tratamentos de canal, remoção de cáries extensas, necroses teciduais e mucosites.

“A suspensão temporária de procedimentos eletivos é uma estratégia recomendada que pode ser adotada em situações de pandemia para diminuir circulação de pessoas e reduzir procedimentos que possam gerar aerossóis e, consequentemente, transmissão”, explica o conteúdo do CFO.

O documento recomenda reforço na limpeza das superfícies dos consultórios, higienização frequente das mãos, uso de equipamentos de proteção individual, preferência por radiografias extraorais em vez das intraorais, que geram mais salivação, e uso de sucção de alta potência.

Os pacientes em UTI também precisam manter a higiene bucal, com algumas orientações extras. A limpeza com peróxido de hidrogênio de 0,5% a 1% ou povidona a 2% é a mais indicada. Pacientes que usam dispositivos protéticos bucais não devem armazená-los nos hospitais, devendo entregá-los a algum responsável depois de esterilizados.

Apenas tratamentos indispensáveis devem continuar durante a pandemia
Apenas tratamentos indispensáveis devem continuar durante a pandemia. (Fonte: Joseph Shomelian/Pixabay)

Cuidando da higiene bucal em casa

Conforme orientações do Conselho Federal de Medicina, o ideal é não precisar ir ao dentista durante o período da pandemia. Tais medidas também são recomendadas por associações odontológicas da Austrália e dos Estados Unidos, bem como de outros países. E algumas dicas de limpeza dos dentes, das gengiva e da língua são necessárias para aumentar a saúde bucal.

O cuidado extra deve ser buscado principalmente por pessoas que estão no grupo de risco da covid-19. A prevenção de doenças periodontais é necessária para não piorarem quadros respiratórios ou gerarem sangramentos excessivos, algo que pode acometer pacientes diabéticos, por exemplo.

Algumas ações podem ser adotadas para melhorar a higiene bucal:

  • higienizar a escova de dentes com peróxido de hidrogênio a 0,5% (para obtê-lo, misture 150 ml de água destilada com 30 ml de água oxigenada), deixando-a mergulhada por 10 minutos;
  • não deixar as escovas próximas umas das outras, guardando-as na posição vertical e com as cerdas para cima;
  • evitar roer unhas, pois prejudica os dentes e pode ser a porta de entrada do vírus;
  • evitar o compartilhamento de alimentos e utensílios, como pratos, copos e talheres;
  • lavar as mãos com água e sabão antes de escovar os dentes ou de usar fio dental;
  • não compartilhar escovas de dentes;
  • manter uma rotina de hidratação, que é boa para o corpo e para a saúde bucal;
  • evitar a troca de beijos;
  • escovar os dentes com regularidade;
  • trocar a escova de dentes com frequência (entre três e quatro meses).

Fonte: Centers for Disease Control and Prevention, Authority Dental, Health Line e Conselho Federal de Odontologia.