Cloroquina pode fazer mal à saúde física e mental

24 de dezembro de 2020 3 mins. de leitura
Remédio é defendido pelo governo brasileiro como solução para a covid-19, mas pode ser prejudicial

Cloroquina e hidroxicloroquina foram os primeiros medicamentos utilizados para o combate à covid-19, porém, após testes feitos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), ficou claro que a droga é ineficaz contra a doença causada pelo novo coronavírus.

Ainda que comprovadamente ineficaz, hidroxicloroquina é defendida pelo Presidente Jair Bolsonaro. (Fonte: Shutterstock)
Ainda que comprovadamente ineficaz, hidroxicloroquina é defendida pelo Presidente Jair Bolsonaro. (Fonte: Shutterstock)

Ineficácia do medicamento

A ideia de usar a cloroquina ou a hidroxicloroquina no tratamento de pacientes acometidos pelo Sars-CoV-2 aconteceu no começo da pandemia por serem um medicamento imunomodulador, que promove aumento de resposta do sistema imunológico ao ser utilizado em tratamentos de malária e doenças autoimunes. 

Com o passar do tempo, pesquisadores de diferentes regiões perceberam que a droga não estava auxiliando no tratamento dos pacientes. Enfim, uma pesquisa da OMS conseguiu evidências claras de que a cloroquina era ineficaz no combate à covid-19. 

No Brasil, uma pesquisa batizada de “Coalizão Covid-19 Brasil”, que trabalha com hospitais locais, apresentou evidências de que o medicamento não mostrou efeito favorável na evolução clínica de pacientes hospitalizados em casos leves ou moderados. O estudo ainda trouxe indícios de que a droga não funcionava mesmo quando somada à azitromicina.

Riscos à saúde

Estudos mais recentes identificaram que a cloroquina pode ser prejudicial à saúde. Entre os possíveis efeitos colaterais presentes nas bulas da hidroxicloroquina e da cloroquina estão:

  • distúrbios de visão; 
  • irritação gastrointestinal;
  • alterações cardiovasculares e neurológicas; 
  • cefaleia;
  • fadiga;
  • nervosismo; 
  • ataque agudo em pacientes com psoríase ou porfiria;
  • exantema cutâneo.

A Agência de Medicamentos da União Europeia (EMA), equivalente à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil, afirma que os efeitos colaterais do uso da hidroxicloroquina podem aparecer a partir do primeiro mês de tratamento. No caso da cloroquina, ainda não existem dados suficientes para estipular um prazo.

E uma descoberta mais recente aumenta o alerta contra os medicamentos. Isso porque a EMA apresentou resultados, no fim de novembro, que associam o uso da cloroquina ou da hidroxicloroquina ao risco de distúrbios mentais. 

Transtornos psiquiátricos são problemas sérios que podem levar a óbito.  (Fonte: Shutterstock)
Transtornos psiquiátricos são problemas sérios que podem levar a óbito.  (Fonte: Shutterstock)

Declaração da EMA

A EMA já não permite o uso de remédios à base de cloroquina no tratamento de pacientes com covid-19. A situação ficou ainda mais séria quando a instituição recebeu um comunicado, em maio de 2020, de que a Espanha havia registrado seis casos de pacientes que haviam recebido altas doses de hidroxicloroquina e sofreram desordens psiquiátricas.

Após investigação e revisão de dados, a agência europeia confirmou as ocorrências, havendo, entre os analisados, pessoas com e sem histórico de problemas mentais. A EMA afirmou que era sabido que mesmo o uso seguro de cloroquina ou de hidroxicloroquina pode causar transtornos psiquiátricos, como comportamentos suicidas. A incidência desses casos é definida como rara ou de frequência desconhecida.

Leitura da bula de medicamentos é uma prática importante. (Fonte: Shutterstock)
Leitura da bula de medicamentos é uma prática importante. (Fonte: Shutterstock)

Devido a isso, a agência europeia solicitou a atualização da bula dos medicamentos. A expectativa é de que sejam adicionadas as mais recentes informações sobre os efeitos colaterais que a droga pode apresentar, buscando a conscientização de médicos e pacientes.

Conheça o maior e mais relevante evento de saúde do Brasil

Fonte: UOL, Catraca Livre, Estado de Minas.

Gostou? Compartilhe!