Estádios se tornam hospitais de campanha para tratar covid-19

3 de abril de 2020 5 mins. de leitura
Cidades brasileiras estão adaptando estruturas esportivas para ampliar a rede de leitos de UTI de hospitais

A necessidade de ampliação de leitos do sistema de saúde é urgente em virtude do número crescente de pessoas contaminadas com o coronavírus. A China foi capaz de construir em tempo recorde dois hospitais para tratar pacientes de covid-19 no início do surto. No Brasil, tanto o Poder Público quanto empresas privadas correm para transformar estádios em hospitais de campanha.

O Brasil possui cerca de 452 mil leitos hospitalares, sendo que 42 mil são Unidades de Tratamento Intensivo (UTI), de acordo com levantamento do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) do Ministério da Saúde. Para enfrentar a crise, a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) calcula que é necessário aumentar a capacidade do sistema de tratamento intensivo em 20%.

Como nenhum sistema de saúde do mundo é desenhado para pandemias, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a construção de estruturas temporárias, também conhecidas como hospitais de campanha, para aumentar a oferta de vagas. Por isso, essa prática tem sido adotada por diversos países, como Estados Unidos, Itália, Espanha, Reino Unido e Chile.

As unidades temporárias são destinadas para pacientes de baixa complexidade, que necessitam ficar internados e estão na “zona cinzenta de gravidade” — quando não apresentam complicações, mas necessitam de monitoramento médico. Os pacientes com covid-19 demoram de sete a dez dias para ter complicações que precisam de respiradores mecânicos, monitorização ostensiva e outros cuidados disponíveis apenas em UTI.

A admissão de pacientes nos hospitais de campanha é realizada somente por meio de encaminhamento de unidades básicas de saúde, de acordo com os critérios estabelecidos pelas autoridades locais.

Estádios transformados em hospitais

Por todo o Brasil, muitos clubes de futebol chegaram a oferecer seus espaços para as autoridades públicas realizarem a montagem de hospitais durante a pandemia. Entre as principais estruturas esportivas do país, os governos municipais e estaduais escolheram apenas cinco estádios utilizados na Copa do Mundo e o tradicional Pacaembu, que abriga também o Museu do Futebol.

Pacaembu

O estádio do Pacaembu, em São Paulo, foi transformado em um hospital com 192 leitos de baixa complexidade e 8 semi-intensivos com respiradores e deve começar a receber os primeiros pacientes no primeiro fim de semana de abril.

A estrutura será administrada pelo Instituto de Responsabilidade Social do Hospital Albert Einstein e contará com 520 profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem, fisioterapeutas, psicólogos e assistentes sociais.

Outros 1,8 mil leitos de baixa e média complexidade estarão disponíveis no hospital de campanha que está sendo montado no Centro de Convenções do Anhembi, na capital paulista.

Mané Garrincha

(Fonte: Agência Brasília/Reprodução)

Em Brasília, o estádio Mané Garrincha receberá 200 leitos distribuídos em uma área de 6 mil metros quadrados para tratar pacientes com sintomas graves causados pelo coronavírus. Os leitos não serão instalados no gramado do estádio, mas no primeiro andar do Mané Garrincha, que possui uma estrutura mais adequada.

O espaço passa por uma adaptação com mudanças na rede elétrica, higienização do ar-condicionado e instalação de dispositivos para álcool em gel e equipamentos médicos. As mudanças vão melhorar a estrutura para atender a critérios hospitalares, oferecendo condições físicas e sanitárias adequadas.

Maracanã

O Rio de Janeiro anunciou a construção de 400 leitos em um hospital de campanha a ser montado na área do Complexo Esportivo Maracanã. Destes, 80 leitos serão de UTIs. A estrutura será a maior para tratamento da covid-19 no estado, que também terá outros sete hospitais provisórios e um total de 2,3 mil leitos.

O hospital de campanha contará com um desenho arquitetônico para facilitar os fluxos de trabalho dos profissionais da saúde e será erguido no local onde ficava o Estádio de Atletismo Célio de Barros.

Fonte Nova

A Arena Fonte Nova deverá ser utilizada para a montagem de uma tenda com mais cem leitos clínicos dedicados ao coronavírus. O governo baiano também utiliza o Centro de Treinamento Osório Villas-Boas (Fazendão), que pertence ao Esporte Clube Bahia, para receber pacientes de baixa complexidade, que não estão contaminados com o coronavírus.

A Bahia também utilizará dois hospitais privados, que estavam fechados, e está acelerando a inauguração de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) no interior do estado e abrindo novos leitos na rede pública para reforçar o atendimento aos pacientes com covid-19.

Presidente Vargas

(Fonte: Prefeitura de Fortaleza/Reprodução)

Fortaleza está construindo um hospital temporário no Estádio Presidente Vargas, que terá a capacidade de 204 leitos em um espaço de 3,5 mil metros quadrados de área climatizada com base em concreto, estrutura metálica e lonas com divisórias para acomodar os pacientes em isolamento.

A estrutura temporária contará com contêineres separados para o armazenamento dos equipamentos de proteção individual dos profissionais da saúde, além de farmácia e demais espaços administrativos.

O Governo do Ceará já assumiu um hospital particular desativado na capital do estado com 230 leitos, sendo 30 de UTI.

Fonte: Agência Brasil, Governo da Bahia, Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, Prefeitura de Fortaleza, Prefeitura de São Paulo.

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