Fim da pandemia: cooperação global é a solução mais eficaz

15 de novembro de 2021 4 mins. de leitura
Tedros Ghebreyesus, chefe da Organização Mundial da Saúde, lamentou a concentração de vacinas em países ricos e o descumprimento de promessas de doações

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Tedros Adhanom Ghebreyesus, chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que o mundo já tem as ferramentas necessárias para que se vença a covid-19, mas falta cooperação. A fala foi feita na abertura da Cúpula Mundial da Saúde, evento anual que reúne dirigentes políticos e profissionais da saúde em Berlim.

Segundo Adhanom, a covid-19 ainda mata 50 mil pessoas por semana no mundo, e o único modo de frear esse número é acelerar a vacinação. Infelizmente, os dados sobre a vacinação ainda são preocupantes. Enquanto alguns países, como Portugal e Emirados Árabes Unidos, aproximam-se de 90% da população com duas doses da vacina, outros, como Burundi e Eritreia, sequer começaram a vacinação.

Metas de vacinação contra a pandemia

Dados do site Our World in Data demonstram que 49% da população mundial já estão completamente imunizados, mas, nos países de baixa renda, a média é de apenas 3,1%. A meta da organização é que todos os países tenham 40% da sua população duplamente vacinada até o final do ano e 70% até meados de 2022.

Ativistas protestam nos Estados Unidos contra o monopólio das vacinas pelos países ricos. (Fonte: lev radin/Shutterstock/Reprodução)
Ativistas protestam nos Estados Unidos contra o monopólio das vacinas pelos países ricos. (Fonte: lev radin/Shutterstock/Reprodução)

Apesar de o número ser plenamente alcançável em relação à quantidade de vacina que é produzida, outras metas já deixaram de ser cumpridas por causa de um problema de distribuição das doses. A OMS tinha definido setembro como a data limite para que todos os países estivessem com pelo menos 10% da população vacinada, mas 50 países não alcançaram esse objetivo.

Distribuição de doses para países pobres

A OMS, em conjunto com Aliança Gavi, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Coalition for Epidemic Preparedness Innovations (CEPI), criou o Acesso Global de Vacinas Covid-19 (Covax Facility). O órgão organiza e arrecada vacinas para distribuir em países que não têm condições de comprá-las. 

A Covax vem enfrentando muita dificuldade de conseguir fazer os países ricos cumprirem a palavra e entregarem as doses prometidas. Apesar de já ter conseguido fazer os países mais ricos disponibilizarem 2 bilhões de doses, entre sobras de estoque e doações em dinheiro, menos de 15% disso tinha sido entregue até o final de setembro. Um dos principais problemas é a logística, muitas doses chegam próximas ao prazo de validade e não há estrutura nos países para distribuí-las a tempo.

Além disso, a Covax viu o Instituto Serum, na Índia, maior produtor de vacinas do mundo e o principal parceiro na produção de vacinas, não cumprir prazos de entrega. A empresa indiana sofreu uma intervenção do governo local para priorizar a imunização do país, após o local enfrentar uma grave crise de contaminações por covid-19. Para se somar ao problema, o instituto tinha uma série de contratos anteriores com países ricos que exigiram prioridade na fila de produção.

O Brasil alcançou a marca de 53% da população imunizados com as duas doses da vacina, e 72% com uma dose. (Fonte: Nelson Antoine/Shutterstock/Reprodução)
O Brasil alcançou a marca de 53% da população imunizados com as duas doses da vacina, e 72% com uma dose. (Fonte: Nelson Antoine/Shutterstock/Reprodução)

Diante de todo esse panorama, Adhanom lamentou a concentração de vacinas em países ricos. O chefe da OMS ainda concluiu que os objetivos definidos são alcançáveis, mas só serão atingidos se os países ricos cumprirem as promessas de entregas e se as empresas que controlam o abastecimento mudarem suas políticas de entrega, garantindo prioridade aos países mais pobres.

Fonte: Opera Mundi, Our World in Data, World Health Organization, O Tempo.

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