Morre voluntário da 3ª fase de testes da vacina de Oxford

22 de outubro de 2020 3 mins. de leitura
Investigações estão sendo realizadas, mas responsáveis pela substância garantem não haver preocupações

Um dos oito mil voluntários brasileiros que participam da terceira fase de testes da vacina contra o novo coronavírus desenvolvida pela AstraZeneca em parceria com Universidade de Oxford morreu aos 28 anos. 

O médico recém-formado João Pedro Feitosa, morador do Rio de Janeiro, faleceu devido a complicações da covid-19, mas ainda não se sabe se recebeu uma dose da substância ou placebo. Uma avaliação realizada por um comitê independente determinou a continuidade dos procedimentos.

Alegando cláusulas de sigilo, as instituições não divulgaram detalhes adicionais do caso, ainda que os responsáveis pelo desenvolvimento do imunizador tenham declarado não haver preocupações de segurança relacionadas à pesquisa. 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) se posicionou em nota oficial: “Em relação ao falecimento do voluntário dos testes da vacina de Oxford, a Anvisa foi formalmente informada desse fato em 19 de outubro de 2020. Foram compartilhados com a Agência os dados referentes à investigação realizada pelo Comitê Internacional de Avaliação de Segurança”.

AstraZeneca declarou não haver preocupações relacionadas à segurança da vacina. (Fonte: Shutterstock)
AstraZeneca declarou não haver preocupações relacionadas à segurança da vacina. (Fonte: Shutterstock)

“É importante ressaltar que, com base nos compromissos de confidencialidade ética previstos no protocolo, as agências reguladoras envolvidas recebem dados parciais referentes à investigação realizada por esse comitê, que sugeriu pelo prosseguimento do estudo. Assim, o processo permanece em avaliação”, de acordo com a instituição.

“Segundo regulamentos nacionais e internacionais de Boas Práticas Clínicas, os dados sobre voluntários de pesquisas clínicas devem ser mantidos em sigilo, em conformidade com os princípios de confidencialidade, dignidade humana e proteção dos participantes”, complementou a instituição.

“A Anvisa está comprometida a cumprir esses regulamentos, de forma a assegurar a privacidade dos voluntários e também a confiabilidade do país para a execução de estudos de tamanha relevância. A Agência cumpriu, cumpre e cumprirá a sua missão institucional de proteger a saúde da população brasileira”, foi salientado.

Universidade de Oxford ressaltou estar realizando investigação minuciosa. (Fonte: Shutterstock)
Universidade de Oxford ressaltou estar realizando investigação minuciosa. (Fonte: Shutterstock)

Análise cuidadosa

Resultados preliminares da chamada vacina de Oxford foram publicados em 20 de julho no periódico científico The Lancet, indicando reações leves e moderadas, sem citar a ocorrência de efeitos colaterais considerados graves. Entre as manifestações registradas após a vacinação estavam fadiga e dores de cabeça e muscular. Tanto a instituição de ensino britânica quanto a AstraZeneca destacam ter realizado uma análise cuidadosa e por isso estão confiantes de que os estudos não devem ser paralisados.

De qualquer forma, a investigação continua em andamento, mas especialistas sugerem cautela quanto a conclusões precipitadas, uma vez que participantes podem falecer por diversas causas – incluindo aquelas não relacionadas à vacina. O sigilo, defendem, é parte dos protocolos de idoneidade das pesquisas.

“A Reitoria da UFRJ — juntamente com toda a comunidade universitária — presta sinceras condolências aos familiares e aos amigos do nosso ex-aluno em meio a esse momento de tristeza que ceifou a vida do João, que havia acabado de se diplomar e não poupou esforços para atuar no enfrentamento da pandemia de covid-19, que já acumula mais de 40 milhões de casos no mundo”, lamentou a reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na qual João se formou em Medicina.

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Fontes: Mirror, UFRJ, Anvisa.

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