Pandemia reduz diagnóstico de câncer colorretal em 50%

1 de abril de 2021 4 mins. de leitura
Movimentação nos hospitais devido ao novo coronavírus dificultou a realização do exame que detecta a doença

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Em 2020, os diagnósticos de câncer colorretal e anal no Brasil tiveram uma queda em 46,6%. Dessa forma, do início de março até 31 de julho de 2019, cerca de 108 pacientes receberam o diagnóstico da doença, de acordo com os dados do hospital oncológico A.C. Camargo Cancer Center.

“Essa diminuição pode ser explicada pela dificuldade em realizar a colonoscopia, exame que diagnostica o câncer colorretal, e pelo medo que pacientes têm de serem submetidos a uma investigação hospitalar durante a pandemia”, explicou o cirurgião oncologista do hospital Samuel Aguiar Junior em publicação no portal do Instituto Oncoguia. 

Com a pandemia do coronavírus, presente desde março de 2020, grande parte das equipes de hospitais passaram a se dedicar ao tratamento dos pacientes acometidos pela covid-19. 

Apesar disso, foi afirmado à revista que mesmo assim não foram suspensas as consultas no A.C. CamargoCancer Center para os pacientes que tiveram a confirmação do diagnóstico de câncer.

Segundo Aguiar Junior, outro motivo pela queda do número de casos é o colapso enfrentado pelos sistemas de saúde no país, principalmente os que têm financiamento público.

A busca por tratamento do câncer no SUS

O desemprego junto às dificuldades enfrentadas na pandemia resultaram na migração da população do sistema privado para o Sistema Único de Saúde (SUS). (Fonte: Shutterstock)
O desemprego junto às dificuldades enfrentadas na pandemia resultaram na migração da população do sistema privado para o Sistema Único de Saúde (SUS). (Fonte: Shutterstock)

Além da sobrecarga dos ambientes hospitalares, recebendo muitas pessoas infectadas pelo coronavírus, a pandemia aumentou o número de desempregados. Isso fez muitos pacientes com câncer de colorretal buscarem um tratamento mais acessível para a enfermidade.

A maioria vinda do sistema privado migrou para o SUS devido aos valores altos para conseguir realizar o tratamento.

“Esses pacientes costumam procurar hospitais privados para obter acesso ao diagnóstico e tratamento, mas acaba indo para o já congestionado SUS, uma vez que não podem pagar pelo tratamento integral no setor privado”, relatou Aguiar Junior.

Esse movimento foi observado nas classes média e baixa, em sincronia com o impacto causado pela pandemia no desemprego. Com todos esses problemas, e o medo de entrar nos hospitais para realizar o tratamento, o quadro dos pacientes com câncer pode resultar na evolução dos tumores. 

De acordo com Aguiar Junior, o diagnóstico realizado tardiamente junto ao resultado do câncer deve ser reconhecido e tratado com seriedade nas políticas de saúde. “Serão necessários esforços contínuos dos sistemas de saúde público e privado em todo o mundo, para fornecer cuidados oncológicos eficazes para todos os pacientes com câncer”, concluiu o médico.

Respeito às medidas sanitárias na pandemia

Medidas sanitárias auxiliam na proteção dos pacientes com câncer para conseguirem realizar seu tratamento em meio a pandemia. (Fonte: Shutterstock)
Medidas sanitárias auxiliam na proteção dos pacientes com câncer para conseguirem realizar seu tratamento em meio a pandemia. (Fonte: Shutterstock)

As medidas sanitárias para conter o coronavírus, como uso de álcool em gel, máscaras e diminuição de circulação nas ruas, necessitam ser levadas a sério para que o cenário não piore nos hospitais. 

Os pacientes com câncer, seja de colorretal, seja de outros tipos, acabam apresentando uma imunidade baixa devido ao tratamento com radio e quimioterapia, facilitando a entrada de outros vírus e doenças.

Os esforços dos hospitais para atuar de acordo com as medidas sanitárias tornam possível garantir segurança aos pacientes com câncer. Para que eles consigam circular pelo ambiente com cuidados e receber os cuidados oncológicos na realização do tratamento.

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Fonte: Instituto OncoGuia, Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, Medicina S/A.

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