Panorama do uso de canabidiol por pacientes com autismo

23 de janeiro de 2020 4 mins. de leitura
Uso medicinal da substância é considerado um avanço e pode auxiliar no tratamento e na qualidade de vida dos pacientes

O autismo é um espectro de diferentes condições. Oficialmente conhecido como Transtorno do Espectro Autista (TEA), abarca diversos modelos psico-comportamentais e tem como principais sintomas dificuldade para se comunicar e interagir socialmente, sensibilidade extrema e falas e atos repetitivos.

O diagnóstico ainda é um mistério para a área da medicina, e até hoje a condição permanece sem tratamento específico. Os medicamentos mais utilizados são antidepressivos e ansiolíticos, responsáveis por diversos efeitos colaterais incômodos, principalmente porque os pacientes costumam precisar consumir diferentes substâncias em altas dosagens por muitos anos.

Em casos extremos de sintomas psicológicos, como agressividade e mania, também podem ser recomendados medicamentos como a risperidona, um antipsicótico usado em casos de esquizofrenia. Devido às consequências negativas geradas, há alguns anos vêm sendo discutidas outras opções menos agressivas ao organismo, entre elas a planta Cannabis Sativa — ou canabidiol (CBD).

Tratamentos alternativos vs. tradicionais

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(Fonte: WikiCommons/JonRichfield)

Apesar de o uso ainda ser polêmico, sabe-se que o corpo humano tem um sistema conhecido como endocanabinoide (SEC), com um conjunto de neurotransmissores ativados somente por um tipo de substância. Esse sistema, ao ser acionado por canabinoides, gera efeitos neuronais que proporcionam mudanças físicas e psicológicas.

O cérebro de pessoas no espectro autista sofre naturalmente com o excesso de estímulos neuronais e pode até mesmo inflamar. O canabidiol age reduzindo a agitação generalizada, por isso tem efeito terapêutico eficaz, inclusive para controlar convulsões, sintoma recorrente entre pacientes com o distúrbio.

Um dos principais benefícios do uso medicinal do canabidiol está relacionado à ausência ou redução de efeitos colaterais gerados por remédios de tarja preta. Enquanto os antidepressivos atuam interrompendo transmissões neuroquímicas e controlando a reabsorção de serotonina e dopamina, o CBD interage naturalmente com os neurotransmissores, equilibrando a sua atuação no organismo, o que apazigua a excitação neuronal excessiva.

(Fonte: Pixabay)

O canabidiol é um entre dezenas (cerca de 85) de canabinóides encontrados em sementes, talos e flores das plantas do gênero Cannabis, principalmente de cânhamo, planta da família Cannabaceae. Apesar do seu potencial terapêutico, os estudos a seu respeito ainda são limitados, fato que está relacionado ao preconceito moral contra a Cannabis, o que impede a abertura às pesquisas com CBD.

Segundo a empresa HempMeds, primeira a receber aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para importação de um produto à base de canabidiol, quando as plantas são cultivadas sem herbicidas, pesticidas ou fertilizantes, o produto não desencadeia efeitos colaterais. Além disso, o CBD não vicia e ajuda a tratar dependências químicas.

Uma grande desvantagem ao optar por esse tratamento até então eram os preços de importação dos medicamentos e a longa espera para a sua entrega. Recentemente, a Anvisa liberou a produção de medicamentos de Cannabis com certas restrições no Brasil e a sua venda em farmácias do País, medida que torna o tratamento acessível aos pacientes com autismo, bem como abre as portas para que outras condições, como epilepsia, sejam controladas.

Naturalmente, a tendência é que os estudos no Brasil sobre as capacidades medicinais da Cannabis passem a ser estimulados, e a variedade de medicamentos brasileiros à base de CBD cresça ainda mais — sendo uma grande conquista aos grupos que podem se favorecer com terapias alternativas.

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Fontes: Estadão, NCBI.

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