Em 10 anos, poluição atmosférica faz 14% mais vítimas fatais no Brasil

10 de setembro de 2019 3 mins. de leitura
Especialistas concluem que a poluição do ar está associada a muito mais doenças do que se supunha.

O estudo “Saúde Brasil 2018”, do Ministério da Saúde, que considerou os dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), constatou que as mortes provenientes da má qualidade do ar aumentaram 14% em 10 anos.

Em 2006, o número de óbitos por Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) foi de 38.782, chegando a 44.228 em 2016. O crescimento das mortes está associado a uma maior exposição da população ao ozônio (O3) em todas as regiões do País, sobretudo nos grandes centros urbanos e estados onde há maior incidência de queimadas.

Os dados foram apresentados em junho pelo Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em Brasília. De acordo com Mandetta, somente em 2018 o SUS (Sistema Único de Saúde) calculou que os gastos com internações devido a problemas respiratórios passaram de R$ 1,3 bilhão — entre 2008 e 2019, esse valor pode chegar a R$ 14 bilhões.

Para a pesquisa, o “Saúde Brasil 2018” utilizou a metodologia e os dados do “Global Burden of Disease”, considerando as seguintes enfermidades do grupo de DCNT: doenças isquêmicas do coração (DIC); doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC); cânceres de pulmão, traqueia e brônquios, atribuíveis ou não à poluição do ar em todas as idades entre 2006 e 2016 no Brasil. A exposição da população ao O3 e ao material particulado atmosférico (MP 2,5), que é ainda mais perigoso que o próprio ozônio, também foi analisada.

Principais causas de morte

As DIC e as doenças cerebrovasculares são as que mais matam, embora tenha-se registrado um declínio nas taxas de óbito causadas por elas.

Acompanhe os números de vítimas fatais:

  • DIC — Homens: 180,9 óbitos por 100 mil habitantes em 2006 e 141,3 óbitos por 100 mil habitantes em 2016; mulheres: 111 óbitos por 100 mil habitantes em 2006 e 84,4 óbitos por 100 mil habitantes em 2016;
  • Doenças cerebrovasculares — Homens: 112,7 por 100 mil habitantes em 2006 e 80,7 por 100 mil habitantes em 2016; mulheres: 70,6 por 100 mil habitantes em 2006 e 51,2 por 100 mil habitantes em 2016.

Por outro lado, o número de mortes causadas por câncer de pulmão, traqueia ou brônquios e DPOC subiu tanto em homens quanto em mulheres. Entre elas, os índices foram ainda maiores: 37,6% e 18,9%, respectivamente, em relação a câncer de pulmão, traqueia e brônquios e DPOC. Já entre os homens, o percentual foi de 11,4% em ambas as categorias de doenças.

Outros problemas ligados à poluição

Fora a poluição atmosférica, ainda existem os perigos originados pela a falta de saneamento básico e de água potável, como malária e diarreia. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a cada 100 mil habitantes brasileiros, 41 crianças até os 5 anos de idade morrem devido a doenças causadas pela poluição.

Além das ocorrências mais comuns e evidentes, recentemente cientistas descobriram que a poluição pode gerar problemas que, há pouco tempo, não podíamos sequer imaginar. Doenças como diabetes tipo 2, infertilidade e até Alzheimer podem ser causadas pelo acúmulo de partículas nocivas em nosso organismo, provenientes do ar de baixa qualidade.

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Fontes: Ministério da Saúde, BBC.

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