São Paulo inicia terceira fase de controle da covid-19

30 de julho de 2020 5 mins. de leitura
Projeto SoroEpi MSP visitará mais de 1,3 mil domicílios da capital paulista para monitorar situação atual da doença

O município de São Paulo iniciou a terceira fase do projeto SoroEpi MSP – Inquéritos de soro epidemiológicos seriados para monitorar a prevalência da infecção por Sars-CoV-2 durante as últimas semanas do julho. A iniciativa conjunta da comunidade médica paulista conta com o apoio do Grupo Fleury, IbopeInteligência, Instituto Semeia e Todos pela Saúde (do Itaú Unibanco).

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Nesta nova etapa, o programa deve visitar cerca de 1,38 mil domicílios da Grande São Paulo para investigar o panorama atual da infecção por covid-19. O SoroEpi MSP auxiliará o poder público na tomada de decisões quanto às ações que precisam ser tomadas para combater o vírus na capital.

A prefeitura de São Paulo começou o processo de reabertura do mercado durante o segundo semestre do ano e pretende garantir que a situação atual da região seja segura para tais medidas. O poder público ainda considera a imunidade de rebanho uma opção para afrouxar o isolamento social no município.

Aumento dos testes em São Paulo

São Paulo lidera infecções por covid-19 no Brasil. (Fonte: Shutterstock)

Um dos objetivos principais do estudo é conseguir aplicar uma grande quantidade de testes sorológicos para o vírus Sars-CoV-2 por meio da coleta de sangue na maior quantidade de pessoas possíveis. Esse tipo de testagem oferece uma compreensão maior sobre a parcela da população que já desenvolveu algum tipo de anticorpo efetivo contra o novo coronavírus.

Durante 10 dias, entrevistadores do IBOPE e coletores de sangue do Grupo Fleury sortearão indivíduos com mais de 18 anos para estarem aptos a participar do procedimento. De maneira geral, essa é a terceira etapa das seis operações de testagem que devem ocorrer em São Paulo durante 2020.

Assim como as duas primeiras fases, realizadas em maio e em junho, os resultados serão divulgados para o restante da população. As autoridades locais acreditam que essa é a melhor alternativa para se ter um banco de dados atualizado sobre a covid-19 enquanto a pandemia continuar afetando o Brasil.

Como é feita a seleção dos domicílios para testagem?

O estado de São Paulo lidera o ranking brasileiro de regiões afetadas pelo novo coronavírus — ao todo, são mais de 450 mil casos confirmados e 21 mil óbitos pela doença. Por isso, o aumento no número de testes para a população de 11,8 milhões de habitantes na capital exerce uma função fundamental no entendimento da epidemia dentro do país.

Para a realização da pesquisa, o IBGE dividiu a cidade em 96 distritos, distribuídos nas regiões Centro, Oeste, Leste, Sul, Sudeste e Norte. Para cada etapa do SoroEpi MSP, as autoridades selecionam aleatoriamente cerca de 115 setores censitários contidos dentro desses 96 distritos — nos quais 12 domicílios farão parte do procedimento.

Os moradores selecionados podem optar pela participação ou não na pesquisa. Em caso de aceite, o IBGE fornece uma canal de esclarecimento de dúvidas. A testagem é gratuita, e os participantes do projeto não recebem qualquer tipo de incentivo financeiro.

Testes mostram discrepância em realidade sociais diferentes

IBOPE atuará em parceria com Grupo Fleury na coleta de sangue na capital. (Fonte: Shutterstock)

Os resultados anteriores do SoroEpi MSP têm mostrando duas situações muito diferentes da epidemia dentro do Município de São Paulo. Durante as duas primeiras etapas do projeto, foi possível constatar que o novo coronavírus tem afetado mais a parcela pobre da população paulista do que os mais favorecidos.

Em bairros ricos da capital, o número de infectados pela covid-19 acaba sendo 2,5 vezes inferior aos bairros mais necessitados. Nas regiões de baixa renda, os índices de infecção chegam a 16%, enquanto apenas 6,5% da população rica havia contraído o vírus.

Por outra perspectiva, isso também significa que a faixa da população menos favorecida também tem adquirido uma maior soroprevalência sobre a doença. Indivíduos que não completaram o Ensino Fundamental obtiveram 4,5 vezes mais anticorpos do que aqueles que concluíram o Ensino Superior — 22,9% contra 5,1%.

O levantamento demonstra que a disparidade social dentro do município de São Paulo tem tornado a população pobre mais exposta ao vírus e facilitado a sua propagação dentro de conjuntos habitacionais onde mais de cinco pessoas residem dentro da mesma casa.

Baseada nas estratégias de “imunidade de rebanho”, a prefeitura local estima que a infecção por coronavírus se tornará muito difícil em um percentual entre 60% a 80% de indivíduos com anticorpos contra o Sars-CoV-2. Nessa situação, o vírus encontraria dificuldade para se reproduzir de maneira severa, o que facilitaria a reabertura do comércio e o fim do isolamento social.

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Fontes: Grupo Fleury, Butantan e Seade.

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