Tamanho da cintura pode indicar risco de ataque cardíaco

6 de abril de 2020 3 mins. de leitura
Aumento de incidência de derrames e ataques cardíacos também estão relacionados a comportamentos não saudáveis

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 17,5 milhões de pessoas morrem anualmente em decorrência de doenças cardiovasculares. Grande parcela desses indivíduos tinham hábitos de vida considerados não saudáveis. Entre os mais comuns destacam-se o ato de fumar, o exagero de sal na alimentação, o sedentarismo e a obesidade.

Uma pesquisa disponibilizada no European Journal of Preventative Cardiology constatou que existe uma ligação entre a gordura da barriga e o risco de ter um segundo caso de ataque cardíaco ou derrame. “A obesidade abdominal não apenas aumenta o risco de um primeiro ataque cardíaco ou derrame, mas também a chance de eventos desse tipo serem recorrentes após o primeiro infortúnio”, disse Hanieh Mohammadi, do Instituto Karolinska (Estocolmo), em um comunicado à imprensa publicado no portal Health da CNN.

(Fonte: Shutterstock)

Tamanho da cintura vs. casos de ataques cardíacos

Os pesquisadores acompanharam mais de 22 mil pacientes suecos por quatro anos, após o primeiro caso de ataque cardíaco e demais problemas de saúde causados em decorrência de artérias entupidas. O episódio é mais frequente em homens, já que a gordura abdominal em mulheres é do tipo subcutânea e considerada inofensiva.

Dentre os pacientes avaliados, 1.232 homens e 469 mulheres sofreram um ataque cardíaco ou enfarte. A maioria deles apresentava obesidade abdominal. Os números que caracterizam excesso de peso correspondem à circunferência de cintura de 94 cm ou mais para homens, e 80 cm ou acima para mulheres.

“Manter uma circunferência saudável da cintura é importante para prevenir futuros ataques cardíacos e derrames, independentemente de quantos medicamentos você possa estar tomando ou de quão saudáveis são seus exames de sangue”, afirmou o pesquisador.

O projeto concluiu que a gordura da barriga tinha ligação direta com ataques cardíacos e derrames, independente de outros fatores que acarretam doenças como diabete e hipertensão. Os pesquisadores enfatizaram, inclusive, que a cintura grande é mais preocupante do que a obesidade geral.

A explicação mais lógica para o diagnóstico é que a gordura localizada nessa região pode ser visceral, penetrando no corpo e envolvendo os órgãos vitais. A gordura também pode se transformar em colesterol, ficando acumulada e endurecendo as artérias.

(Fonte: Shutterstock)

Os impactos do sobrepeso

Segundo a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, realizada em 2018, o número de obesos aumentou 67,8% no Brasil. Apesar de os homens terem maior propensão às doenças cardíacas devido à circunferência da cintura, as mulheres foram as que mais ganharam peso, representando crescimento de 20,7%, enquanto o sexo masculino marcou 18,7%.

A dica para profissionais da saúde que estão averiguando casos de doenças cardíacas é medir o abdômen para identificar pacientes em perigo. Dessa forma, é essencial recomendar hábitos saudáveis, como alimentação balanceada, prática de exercícios físicos e a perda de peso. Estima-se que o ideal seja a prática de atividades aeróbicas regularmente.

Fontes: Ministério da Saúde, Agência Brasil, CNN.

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