Vício em smartphone pode ser semelhante às drogas para o cérebro

30 de março de 2020 4 mins. de leitura
Essa dependência pode afetar áreas importantes do cérebro de forma negativa
Alguns vícios são socialmente conhecidos por prejudicarem à saúde, por exemplo o uso exagerado de cigarro, álcool e outras substâncias ilícitas. Porém, uma dependência em especial apresenta-se como “natural” para muitas pessoas: a utilização excessiva de smartphone. A conexão entre as pessoas e os smartphones é tão forte que o receio de ficar sem ele já ganhou as denominações “nomofobia” e “medo irracional de ficar desconectado” — seja por falta de internet ou de bateria. Essas situações realmente ocorrem, mas o problema está na intensidade como sente o indivíduo que apresenta essa fobia, o qual tem reações desproporcionais diante de circunstâncias como essas. Entretanto, desenvolver um medo irracional de ficar sem o dispositivo pode não ser o maior problema para os viciados em celular. Uma pesquisa, publicada no periódico Addictive Behaviors e feita por pesquisadores de várias cidades e universidades da Europa, constatou que a dependência em smartphones pode gerar problemas no cérebro humano.
(Fonte: Shutterstock)

Efeitos do vício em celular

O trabalho analisou jovens entre 18 e 30 anos, separados em dois grupos: um que apresentava o vício em smartphones e outro que não apresentava sintomas da dependência. Utilizando a ressonância magnética, os pesquisadores analisaram o tamanho e as atividades do cérebro desses jovens. De acordo com esse estudo, além de as questões comportamentais sofrerem alterações devido ao alto índice de uso, algumas características físicas do cérebro também acabam sendo modificadas por conta da dependência. Ainda conforme ao que foi pesquisado, os indivíduos obcecados em celular apresentaram um menor volume de massa cinzenta em várias áreas — entre elas, na ínsula anterior, que é comumente conhecida como a “área da dependência de substâncias”. Outra descoberta foi que, quanto maior o vício, menor a atividade e o volume no córtex cingulado anterior direito. Esse tipo de situação é comum em pessoas que apresentam, no corpo, outras substâncias viciantes; além disso, essa região do cérebro é associada ao sentimento de empatia, controle de impulsos, emoções e tomada de decisões. Esses resultados contrariam as ideias de que os smartphones são aparelhos inofensivos à saúde humana e acende um sinal de alerta para a necessidade de mais estudos quanto aos efeitos e aos problemas gerados pelo vício em celular.
(Fonte: Shutterstock)
Consequências do vício em smartphone A dependência de smartphones também pode ser considerada potencializada pela internet e pelos aplicativos. Segundo um levantamento feito pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), um em cada quatro adolescentes brasileiros são dependentes moderados ou graves de internet. Com isso, além dos efeitos no cérebro humano que foram apresentados pelo estudo, o vício em aparelhos celulares pode gerar outros problemas, como a “síndrome do text neck”, acidentes fatais de carro, dificuldades no sono e outras adversidades ligadas à saúde. A falta de relaxamento também é uma consequência do uso abusivo dos celulares, das redes sociais e da internet. Uma pesquisa realizada pela consultoria de marketing OnePool constatou que os britânicos, com idade entre 18 e 34 anos, descansam apenas setehoras por semana, ou seja, uma hora de descanso por dia. Todos esses riscos do vício em celular não o afastam muito da dependência de outras substâncias ou objetos. Entretanto, a aceitação social quanto ao uso excessivo do smartphone, da internet e das redes sociais deve acionar um alerta de atenção e de cuidado contra a obsessão que, comprovadamente, traz consequências ruins para o corpo humano. Evitar o uso excessivo desses aparelhos, colocá-los para carregar em outro cômodo da casa, apagar aplicativos viciantes, encontrar atividades para fazer que não o envolvam e até tentar uma desintoxicação digital podem ser cuidados e atitudes interessantes a fim de evitar e tratar a dependência em smartphones. Fontes: Insider, Science Direct.
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