Vírus de 15 mil anos são descobertos em geleira no Tibete

28 de fevereiro de 2020 3 mins. de leitura
Cientistas temem que o derretimento das geleiras traga novamente à vida os vírus congelados

Cientistas realizaram uma descoberta recente na China, mais especificamente em Guliya, no noroeste do Tibete, onde coletaram amostras do gelo mais antigo do mundo e descobriram 28 grupos de vírus congelados há pelo menos 15 mil anos.

Segundo o estudo publicado na plataforma de artigos científicos bioRxiv, que divulga pesquisas em fase de pré-divulgação, o material encontrado pode ajudar a entender o impacto de cada tipo de vírus em seus hospedeiros antes do congelamento.

Por meio da amostra, pesquisadores poderão descobrir também questões referentes a interações microbianas e virais, bem como a evolução desses seres. “A geleira abriga diversos micróbios, mas os vírus e seus impactos nos microbiomas de gelo ainda são inexplorados”, escreveram os autores do artigo.

Procurados pela revista norte-americana Vice, os cientistas não comentaram mais detalhes sobre a pesquisa, que ainda está sob análise de seus pares, mas um dos coautores, Lonnie Thompson, explicou por email que se trata de uma empolgante e nova área de pesquisa para ele e seus colegas.

Derretimento das geleiras

Landscape Photography of Glacier on Ocean
(Fonte: Pexels)

Embora o estudo tenha trazido boas expectativas para a ciência, uma questão incomodou os pesquisadores e foi registrada no estudo: o derretimento das geleiras pode, segundo os cientistas, trazer de volta vírus causadores de doenças.

“Na melhor das hipóteses, o problema levaria à perda de arquivos microbianos e virais que poderiam trazer informações sobre os regimes climáticos anteriores da Terra”, aponta o conteúdo. “Mas, na pior das hipóteses, o derretimento do gelo liberaria patógenos no ambiente”, analisou a equipe composta por dez cientistas.

Um estudo divulgado pela Proceedings of the National Academy of Sciences, publicação oficial da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, mostra, por exemplo, que o gelo na Antártida, uma das regiões em que mais se nota o fenômeno, derreteu seis vezes mais rápido do que nos anos 1980 — e isso inclui as áreas que sempre pareceram bem estáveis e resistentes à mudanças climáticas.

O medo tem não apenas base teórica mas também empírica. Em 2014, um vírus gigante de aproximadamente 33 mil anos “ressuscitou” na Sibéria depois de ser descongelado. A criatura era maior do que muitas bactérias e altamente infecciosa.

Como foi feita a análise?

Lake on Between Snowy Mountain
(Fonte: Pexels)

Em 2015, o grupo perfurou 50 metros na geleira para obter dois núcleos de gelo. Depois de passar por procedimentos de descontaminação, o material foi submetido a análises para a averiguação da presença de micróbios. O time trabalhou em uma sala com temperatura de -5°C no intuito de acessar a parte interna dos núcleos de gelo e, quando alcançaram uma camada não contaminada das amostras, iniciaram as avaliações.

A equipe encontrou informações genéticas pertencentes a 33 vírus; desses, 27 são totalmente inéditos para a ciência e, além de chamarem atenção de cientistas do mundo todo, converteram-se em um alerta sobre os riscos das mudanças climáticas associadas ao derretimento das geleiras.

Fontes: NBC News, Science Alert, New York Post, Live Science, Fox News, Vice, Newsweek, Nature.

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