Segundo cardiologistas, os hormônios liberados quando se está apaixonado beneficiam o coração e tendem a melhorar a saúde como um todo

Nesta sexta-feira (14), casais apaixonados de todo o mundo celebram seus sentimentos. O Dia do Amor é conhecido como Valentine's Day em homenagem a São Valentim, que casava clandestinamente homens e mulheres no século III, em um período em que o matrimônio estava proibido. Mas quais são os reais benefícios do amor para a saúde?

Para o cardiologista Decarthon Vitor Dantas Targino, que atua no Hospital do Coração e no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo (SP), o coração está envolvido diretamente com o amor, em primeiro lugar, devido a aspectos culturais. Embora se saiba hoje que é no sistema nervoso que nasce o conjunto de mecanismos que geram a sensação de amor, ainda mandamos corações de pelúcia como presente para as pessoas amadas.

E há também aspectos fisiológicos. O médico lembra que, além da posição central do coração no corpo, o sistema cardiovascular consegue refletir muito das nossas emoções, como a sensação de batimentos acelerados diante de alguém que nos gera muito afeto, o rubor facial em situações inesperadas e até desmaios em notícias estarrecedoras.

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A cardiologista Bianca Maria Prezepiorski, do Hospital Cardiológico Costantini, em Curitiba (PR), concorda. Para ela, uma boa hipótese para que o coração seja o símbolo do amor se deve ao fato de as emoções se refletirem muito intensamente nessa região, como quando levamos um grande susto ou estamos eufóricos.

Nesses casos, são liberados hormônios como a adrenalina, que aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial, e é no peito que a sensação se manifesta. Daí o surgimento de expressões como "um buraco no meio do peito". Em situações extremas, inclusive, é possível que um evento infeliz injete tamanha quantidade de adrenalina na corrente sanguínea que cause um infarto, como na síndrome do coração partido.

Os benefícios de uma relação saudável

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A médica observa que, além da adrenalina, todos os dias nosso organismo libera uma série de hormônios essenciais — o cortisol, por exemplo, assim como a adrenalina, deixa o corpo em alerta nas situações de perigo. O que não é desejável é que eles se mantenham presentes por longo prazo, pois podem causar ansiedade e outros sintomas adversos.

Quando estamos em uma situação amorosa, o corpo libera os chamados hormônios da alegria, da felicidade e da paz, que são ocitocina, dopamina, endorfinas e serotoninas. Juntos, eles têm o efeito de diminuir o estresse e a ansiedade, acalmar, manter a frequência cardíaca equilibrada e induzir o sono, o que mantém a frequência cardíaca ideal durante a noite. A ocitocina, em particular, é fundamental nas relações amorosas: ela está presente desde aspectos cotidianos, como cantar e ouvir música, até as relações sexuais.

Targino acrescenta benefícios a essa lista. Uma relação afetuosa tende a ativar as vias neurais que controlam a liberação de mediadores químicos como dopamina, ocitocina e outros hormônios que mobilizam o sistema nervoso parassimpático, responsável pela dilatação da circulação e redução de níveis da pressão arterial e de estresse. Os ganhos passam pelo aumento da expectativa de vida e imunidade, menores riscos de depressão e de outros transtornos psiquiátricos, além de maior interação social.

E o contrário? Qual é o efeito de paixões platônicas ou de relações pouco saudáveis, em que há estresse e angústia? Para Targino, desentendimentos ou desilusões amorosas podem ser eventos altamente estressantes. Nesses casos, os níveis de catecolaminas e cortisol aumentam, com variações da pressão sanguínea e até efeitos mais indiretos, como piora de dores crônicas, transtornos associados a estresse e depressão e queda da imunidade.

Receita

Se fosse possível pensar em uma receita médica para relações de afeto, qual seria? Prezepiorski entende que o ideal é cultivarmos relacionamentos com segurança, lealdade, fidelidade e tranquilidade. Quando pensamos na pessoa por quem somos apaixonados e sentimos o coração confortável e aquecido, trata-se da ocitocina sendo liberada em nosso organismo.

Targino prescreve algo semelhante: "respeito, suporte, paciência, carinho e saber compartilhar a sua felicidade ao invés de achar que a outra pessoa tem a obrigação de fazê-lo feliz".

Fontes: BBC, Hospital Cardiológico Costantini, Hospital Israelita Albert Einstein.