Tratamentos dependem do estágio de desenvolvimento e do tipo de tumor

O câncer de pulmão é a principal causa de morte por câncer no mundo desde 1985, tendo provocado 1,76 milhão de óbitos em 2018, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Em 20 anos, o número de mortes relacionadas dobrou no Brasil; segundo dados preliminares do Sistema de Informações de Mortalidade, 28.496 pessoas faleceram em decorrência da doença no País em 2018, enquanto em 1999 foram registrados 14 mil óbitos.

O índice de letalidade é cerca de 15 vezes maior entre fumantes e quatro vezes maior entre ex-fumantes se comparado ao número de pacientes que nunca fumaram. A exposição a agentes químicos como amianto, sílica, urânio e cromo também contribui para o desenvolvimento da patologia, que pode ser agravada se associada ao cigarro.

A doença é um dos tipos de câncer mais agressivos, com taxa de mortalidade sobre incidência de cerca de 87%, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Como os casos costumam ser identificados em estágios avançados, a sobrevida em até cinco anos costuma ser baixa, com média de 10% a 15%.

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Diagnóstico

A detecção precoce é importante para o sucesso do tratamento. Alguns sinais podem indicar um estágio inicial do tumor, como tosse persistente, escarro com sangue, dor no peito, rouquidão, falta de ar, perda de peso e de apetite, pneumonia ou bronquite recorrentes e sensação de fraqueza.

O diagnóstico inicial é realizado por meio de uma radiografia do tórax associada a tomografia computadorizada. Para confirmação do diagnóstico, a broncoscopia é fundamental e pode permitir a biópsia do tumor. Conhecida a patologia, é realizado o estadiamento do câncer, para verificar o estágio de evolução e a localização do tumor. O procedimento pode ser realizado por vários exames, como biópsia pulmonar guiada por tomografia, biópsia por broncoscopia, tomografia de tórax, ressonância nuclear, tomografia por emissão de pósitrons (PET-CT), cintilografia óssea, mediastinoscopia, ecobroncoscopia, entre outros.

Opções de tratamento

O câncer de pulmão pode ser curado, mas o tratamento depende do tipo de patologia apresentada e pode envolver uma ou mais modalidades, entre cirurgia, radioterapia, quimioterapia e terapia-alvo. De forma geral, o câncer de pulmão é classificado em carcinomas de células pequenas e de células não pequenas, o que inclui adenocarcinoma, carcinoma de células escamosas e carcinoma de grandes células.

A cirurgia é o tratamento mais indicado para o câncer de células não pequenas, mas depende da extensão do tumor. Ainda que seja a melhor opção para obter bons resultados, o procedimento cirúrgico não é possível em 90% dos casos. Isso ocorre por causa do diagnóstico da patologia, da extensão da doença ou até mesmo da localização do tumor, se próximo a órgãos como o coração.

Segmentectomia, lobectomia e pneumectomia

A segmentectomia é indicada para pacientes com tumores pequenos e que não suportam cirurgias maiores; o procedimento remove uma pequena parte do pulmão atingida pelo câncer. A lobectomia pode garantir uma chance de cura ao ser retirada uma parte inteira do pulmão. Já a pneumectomia é realizada quando é necessário tirar um pulmão inteiro; entretanto, essa cirurgia não é possível para a maioria dos pacientes, pois gera um grande impacto negativo na qualidade de vida.

Quimioterapia

Como tratamento principal, a quimioterapia é utilizada para tratar cânceres avançados tanto de carcinomas de células pequenas quanto não pequenas ou em pacientes que não podem ser submetidos à cirurgia. O método visa destruir células cancerígenas por meio de medicamentos, reduzir o crescimento do tumor ou amenizar os sintomas da doença. O procedimento também é realizado para diminuir um tumor antes da cirurgia ou para destruir células remanescentes após a intervenção cirúrgica. O tratamento quimioterápico pode estar associado à radioterapia para remover alguns tipos de câncer que se desenvolvem próximos a estruturas importantes e que não podem ser removidos cirurgicamente.

Imunoterapia

Opção de tratamento que tem como intuito estimular a imunidade do paciente com câncer. Com a imunoterapia, é possível que o organismo reaja lutando diretamente contra as células malignas. Costuma ser indicada em conjunto com a quimioterapia, para aumentar a sua eficácia, como no caso da jornalista brasileira Ana Maria Braga, conhecida por ser apresentadora do programa Mais Você, da TV Globo.

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Radioterapia

A radioterapia utiliza radiação para destruir células cancerígenas e pode ser utilizada antes ou depois da cirurgia de retirada do tumor. A radiação aplicada em doses menores e localizadas também pode ser utilizada como tratamento principal em uma modalidade conhecida como radiocirurgia. O procedimento não invasivo tem resultados de cura semelhantes ao da cirurgia comum, mas não necessita de internação.

A medicina também estuda novas formas de tratamento para o câncer de pulmão, como a terapia-alvo, método que surgiu a partir do melhor entendimento do papel dos genes, das proteínas e de outras moléculas no desenvolvimento do tumor. O tratamento é personalizado e envolve medicamentos com substâncias capazes de identificar e atacar características específicas das células cancerígenas.

Fontes: OMS, Mayo Clinic, Oncoguia, Inca, Hospital de Câncer de Barretos, CDC, Datasus.