Entenda como funciona a aplicação clínica da musicalidade

A música, além de ser uma manifestação artística de grande alcance, pode desempenhar papel importante em aspectos cognitivos, emocionais e físicos nos seres humanos. A musicoterapia promove uma abordagem clínica desses benefícios, utilizando som, ritmo, melodia e harmonia para oferecer benefícios individualizados a pessoas de todas as idades.

Filósofos como Aristóteles, Pitágoras e Platão já escreviam sobre os efeitos da música no comportamento e na saúde desde a Grécia Antiga. Em seu livro Política, VIII, Aristóteles pontua sobre o tema: “É o que verificamos na música sagrada, quando alguém, afetado por melodias que arrebatam a alma, recupera a serenidade, como se estivesse sob efeito de um remédio ou de uma purificação”.

(Fonte: Pixabay)

A musicoterapia estruturada como método, próxima do modelo que conhecemos hoje, teve início na década de 1960, quando médicos e pesquisadores passaram a apresentar evidências, baseadas em ensaios clínicos, sobre as propriedades curativas da música.

O profissional habilitado a fazer uso terapêutico da música para diversos fins é o musicoterapeuta, que pode atuar em clínicas, escolas, centros de reabilitação, entre outros locais.

As sessões de musicoterapia

Assim como suas aplicações, as metodologias empregadas na musicoterapia são bastante diversas, incluindo jogos com o próprio corpo, cantos, ruídos e instrumentos musicais convencionais. A prática pode ser passiva, quando os pacientes apenas recebem estímulos sonoros, ou ativa, quando os indivíduos são estimulados a produzir, tocando, improvisando, compondo ou cantando conforme as dinâmicas aplicadas.

(Fonte: Pixabay)

Para se beneficiar da musicoterapia ativa não é necessário ter conhecimento técnico sobre música nem saber tocar um instrumento. Ao musicoterapeuta interessa utilizar as funções expressivas, criativas e de coordenação inerentes a qualquer ser humano.

De acordo com uma entrevista cedida ao site da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Renato Sampaio, musicoterapeuta e professor da Escola de Música da UFMG, afirma que a musicoterapia pode ser trabalhada de diferentes formas. “Como o trabalho é feito em grupo, os pacientes criam uma relação de apoio entre eles, o que auxilia a diminuir o impacto do problema na vida da pessoa”, explica.

Como a musicoterapia afeta a saúde

A literatura científica vem mostrando que a música age sobre aspectos do corpo humano de diversas maneiras. Sabe-se, por exemplo, que canções com forte elemento rítmico podem afetar a frequência cardíaca e a respiração, além de promover a liberação de hormônios como a endorfina, relacionada à sensação de prazer e bem-estar, capaz também de reduzir a tensão muscular.

No que diz respeito aos aspectos psíquicos, a música pode ser útil para que o indivíduo libere memórias ou sentimentos reprimidos, o que pode ajudar na melhoria de problemas comportamentais.

Produzir música também pode aprimorar habilidades de comunicação e melhorar a coordenação física. A técnica é recomendada inclusive como tratamento auxiliar no caso de pessoas com autismo, sendo eficaz na melhoria de comportamentos e interação social. Outros exemplos são auxílio a pacientes internados em UTIs, em asilos e em casos de pessoas com deficiências.

Musicoterapia no SUS

Apesar de ser uma atividade oferecida em clínicas, consultórios, escolas e outras entidades privadas, no Brasil a musicoterapia está acessível também na rede pública. Em 2017, foi integrada ao Sistema Único de Saúde (SUS) como uma das 29 Práticas Integrativas Complementares que podem ser aliadas à medicina tradicional na prevenção e no tratamento de doenças.

Segundo a União Brasileira das Associações de Musicoterapia (Ubam), o musicoterapeuta atua tanto na atenção básica, em Unidades Básicas de Saúde e Clínicas da Família, por exemplo, quanto na atenção especializada, para acompanhamento de doenças crônicas, saúde de pessoas idosas, reabilitação neurológica e física.

No âmbito dos hospitais, a musicoterapia está inserida como prática de humanização para internação pediátrica, oncologia e mesmo em situações de pré e pós-operatório.

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Fontes: Ministério da Saúde, University of New Hampshire, UBAM, ARISTÓTELES (Política).