Existe receita para ser um bom professor de Medicina?

10 de março de 2020 3 mins. de leitura
Entenda o que é preciso para ser um bom professor da área médica

Uma carreira na docência acontece com a combinação de conhecimentos específicos da área e a metodologia para aplicar em sala de aula. Na área médica, é necessário cursar 6 anos de faculdade, além de especializações stricto sensu, como mestrados e doutorados. Seja por status, vocação ou oportunidade, ao decidir ser professor concorda-se com o desafio de formar profissionais capacitados para o mercado de trabalho.

O papel do professor universitário já deixou de ser o de detentor do conhecimento que expõe informações aos alunos que escutam passivamente; um termo mais aceito por especialistas é facilitador do conhecimento, pois a figura do docente passou a estar relacionada à de um mediador. Agora, as novas metodologias de educação focam o aluno, o que contribui para a formação do senso crítico dos futuros profissionais.

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(Fonte: Shutterstock)

Segundo pesquisa da Comissão Interinstitucional Nacional de Avaliação do Ensino Médico (Cinaem), muitos profissionais recorrem às universidades como atividade complementar. Esse pensamento limita a avaliação de um professor em sua atuação como médico, e não a performance em sala de aula.

Características de um bom professor

Lecionar na área médica inclui ter boa didática, conhecimento prático amplo (geral ou de uma área específica), habilidades clínicas, boa comunicação, facilidade em dar feedback, ética, profissionalismo e capacidade de atualização. Além de tudo isso, o ato de lecionar em si exige conhecimento de práticas pedagógicas.

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(Fonte: Pexels)

Uma pesquisa realizada na Universidade de Gotemburgo, na Suécia, concluiu que professores com conhecimento de práticas pedagógicas melhoraram significativamente o rendimento dos alunos. A pedagogia pode ajudar professores de Medicina a integrarem a teoria, a prática e a pesquisa, proporcionando uma formação completa aos estudantes, que podem sair da faculdade mais preparados para o dia a dia da profissão.

É importante que o conceito de docente especialista-técnico evolua para o de formador de conhecimento. Essa mudança acontece antes pela desconstrução da ideia de que se aprende a lecionar observando outros profissionais julgados como exemplos ou de que se aprende tentando. O apoio institucional para que o profissional possa se desenvolver no processo de aprendizagem é essencial. Assim como em cursos de licenciatura, antes de ensinar é preciso aprender.

Muito da prática de ensino é construída ao longo da relação entre professor e aluno. Não é uma tarefa simples entrar em uma sala cheia de estudantes com culturas e pensamentos diferentes, já que a pluralidade humana exige habilidades de comunicação e adaptação do docente, moldadas pela vivência de cada profissional.

Desafios do docente de Medicina

O desafio atual dos professores da área médica é se adaptar aos novos modelos de educação e ensino para melhorar a experiência em sala de aula. Isso inclui pensar novas formas de integrar a vivência da profissão com a teoria ensinada nas universidades e dar melhor dimensão de como realmente é a profissão médica sem pecar no conteúdo.

A interdisciplinaridade é uma saída efetiva para lidar com os novos desafios da profissão, não se limitando aos conhecimentos médicos e aplicando táticas pedagógicas que ajudam a formar um conhecimento docente mais plural. O ambiente universitário é rico para a criação de diálogo entre diferentes áreas e deve ser aproveitado.

Fonte: Scielo.

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