A importância da saúde mental e da qualidade de vida dos universitários

25 de junho de 2019 3 mins. de leitura
A saúde mental é um tema cada vez mais discutido nas universidades, mas por que parece que cada vez mais alunos sofrem com problemas desse tipo?

De acordo com um estudo realizado pela Associação dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), oito em cada dez estudantes de graduação já tiveram ou têm algum problema de saúde mental ou emocional desencadeado pela vida acadêmica. Esse número preocupante leva a pensar no que está acontecendo nas universidades e o que será preciso para mudar a situação.

A verdade é que, para alguns especialistas, a realidade sempre foi essa. De acordo com o psicólogo, professor e coordenador da clínica-escola do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), Pablo Castanho, pacientes já levavam essa questão a ele há mais de 20 anos; a diferença é que, hoje em dia, existe uma abertura para falar desses casos.

Na própria USP, duas iniciativas chamaram atenção nos últimos tempos: a primeira, um movimento de professores que busca a ajuda do Instituto de Psicologia quando percebe que algum aluno está passando por dificuldades; a segunda, uma campanha da Faculdade de Economia e Administração, chamada Isso Não É Normal, dá espaço para os alunos falarem sobre como se se sentem no ambiente acadêmico.

Os universitários vêm relatando episódios de depressão, ansiedade, pânico, fobia social e outros transtornos de saúde mental que os prejudicam como um todo, não apenas na universidade. O levantamento da Andifes ainda mostra que, apesar da incidência comum, 70% dos alunos que sofrem com esses problemas nunca procuraram atendimento psicológico.

Causas e efeitos

Descobrir o que causa esses problemas de saúde mental em estudantes universitários é o primeiro passo para encontrar uma solução. A psiquiatra e professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora, Márcia Fávero, ministrou uma palestra sobre saúde mental de estudantes, em que discutiu quais são os elementos que causam o estresse, a ansiedade e a depressão que assolam a vida dos universitários.

Para ela, a carga horária excessiva é um dos grandes problemas, porque desencadeia outros fatores que afetam a saúde mental, como privação de sono e de vida social. Além disso, o ambiente de competição, em que um está sempre tentando publicar mais artigos do que o outro, gera insegurança, piorando o quadro.

O professor Castanho traz outras questões à tona, como a forte relação entre a universidade e o mercado de trabalho. Os alunos acreditam que, se não conseguirem aproveitar tudo o que o ambiente universitário pode oferecer, de bolsas de estudo a vagas de estágio ou intercâmbios, nunca conseguirão uma boa colocação profissional.

Outros fatores citados são a perda da referência, quando um aluno sai do seu contexto conhecido para encarar o novo na universidade, e a falta de significado, quando um estudante não vê sentido no trabalho que faz.

A solução é dar apoio e atenção às necessidades desses estudantes, além de rever as cargas horárias. É preciso normalizar a conversa sobre saúde mental e estimular a procura pela ajuda profissional.

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Fontes: Andifes, UFJF.

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