Saúde mental: 47% das empresas não oferecem cuidados psicológicos no Brasil

11 de janeiro de 2021 5 mins. de leitura
Pesquisa inédita aponta que 33% dos funcionários brasileiros apresentaram sintomas de insônia e ansiedade após o início da pandemia

As empresas brasileiras não têm o hábito de investir na saúde mental de seus funcionários, segundo aponta a pesquisa Saúde Mental em Foco. Produzido pela Vittude em parceria com a Opinion Box, o estudo indica que 47% dos empreendimentos no Brasil não adotaram qualquer procedimento de saúde mental após o início da pandemia.

Tendo entrevistado 2.007 trabalhadores com mais de 16 anos de idade em todas as regiões do País, o documento demonstra que a crise de saúde mundial tem gerado diversos malefícios para o estado psicológico dos brasileiros. Entre os participantes, 33% afirmaram ter tido problema com insônia e crises de ansiedade desde que os surtos de covid-19 começaram.

Produtividade durante a pandemia

Ansiedade e queda de produtividade são preocupações comuns entre os trabalhadores durante a pandemia. (Fonte: Shutterstock)
Ansiedade e queda de produtividade são preocupações comuns entre os trabalhadores durante a pandemia. (Fonte: Shutterstock)

A pesquisa coletou informações de trabalhadores de diversos segmentos, incluindo multinacionais, pequenos negócios e funcionários da saúde que trabalham na linha de frente do combate ao novo coronavírus. Entre os entrevistados, 32% permanecem em home office por tempo integral e apenas 12% já voltaram ao modelo presencial. De acordo com os dados apresentados, 29% das pessoas notaram queda produtiva desde o início da pandemia.

Os assuntos mais citados como empecilhos durante a jornada de trabalho são perda de concentração e foco (32%) e perda de criatividade (22%). Se os funcionários se sentem prejudicados psicologicamente pela pandemia, 25% também acreditam que os empregadores não se importam com o tema saúde mental.

A maioria das empresas, inclusive, tem falhado em dar suporte para seus colaboradores. Apenas 23% têm informativos sobre os cuidados com a saúde mental, 18% contam com equipe psicológica ou de saúde em seu staff e 11% oferecem terapia por plano de saúde.

Tabu sobre terapia

O tema terapia parece ser um grande tabu para os trabalhadores. Entre os entrevistados, 50% responderam se sentirem à vontade para buscar atendimento psicoterapêutico, mas a porcentagem caiu para 36% caso o profissional seja indicado pela empresa a fazer o acompanhamento médico.

O diálogo entre líderes e subordinados também é um grande problema no ambiente empresarial. Mesmo que enfrentem desconforto no cotidiano, apenas 33% das pessoas responderam estarem confortáveis para desabafar com seus chefes diretos, número que cai para 28% quando a conversa é com o departamento de recursos humanos. 

Insegurança psicológica

Com mais de 7,2 milhões de casos confirmados de covid-19 no Brasil, a pandemia tem gerado um senso de insegurança psicológica generalizada na população economicamente ativa. Para 41% das pessoas que responderam à enquete, os últimos meses foram carregados pelo sentimento de “medo intenso de que alguém próximo ficasse doente ou morresse”.

As recomendações de isolamento social vindas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de outras autoridades públicas na tentativa de frear a propagação do vírus resultaram em diversas mudanças na rotina de trabalho, o que, por consequência, despertou um alerta para a saúde mental dos trabalhadores brasileiros.

Enquanto 33% disseram ter sentido uma sobrecarga causada pelo acúmulo de funções na carga horária, 24% responderam sentir dificuldades para conciliar a rotina da casa com as responsabilidades do emprego. Além disso, praticamente metade dos entrevistados afirmou ter deixado de lado tarefas que dão prazer, como atividades físicas ou de lazer, para se dedicar exclusivamente às funções domésticas e de trabalho.

Reduzindo o estresse

Busca por hobbies e afastamento das redes sociais são situações citadas na tentativa de reduzir o estresse. (Fonte: Shutterstock)
Busca por hobbies e afastamento das redes sociais são situações citadas na tentativa de reduzir o estresse. (Fonte: Shutterstock)

Enquanto a terapia não se torna uma prática comum no mercado de trabalho, os brasileiros têm buscado maneiras diversas de reduzir o estresse durante a pandemia. Com o aumento do período passado dentro de casa, a busca por novos hobbies para preencher o tempo extra se tornou uma necessidade.

Para 25% dos entrevistados, foi mais fácil melhorar os hábitos de alimentação durante a pandemia, e 23% consideraram ter mais tempo para os cuidados pessoais. Além disso, 35% dos trabalhadores preferiram se afastar de notícias ou informações que pudessem aumentar seu estado de estresse, e 42% afirmaram que as redes sociais são diretamente responsáveis por contribuir para os quadros de ansiedade.

Por fim, a importância do cuidado com a saúde mental parece ser um tópico em destaque durante os últimos meses. Na visão de 62% dos entrevistados, foi possível compreender a necessidade de cuidar da mente durante esse período de crise, enquanto 57% informaram ter a sensação de que serão pessoas melhores depois dos acontecimentos recentes.

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Fontes: Medicina S/A, Willis Tower Watson, Vittude.

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