Summit Saúde 2021 discute as inovações científicas da pandemia - Summit Saúde

Summit Saúde 2021 discute as inovações científicas da pandemia

19 de outubro de 2021 4 mins. de leitura

Aceleração da inovação em meio à crise sanitária trouxe como o benefício o desenvolvimento de novas terapias para outras doenças

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A pandemia pode mudar o futuro dos investimentos em pesquisa e inovação, segundo uma avaliação realizada nesta terça-feira (19) pelos participantes do Estadão Summit Saúde 2021. O evento, considerado o mais importante e o maior do setor, está sendo realizado de forma online e gratuita até a próxima sexta-feira (22).

Abner Lobão, diretor-executivo da Medical Affairs, da Takeda, no Brasil, avalia que a situação provocada pelo novo coronavírus conseguiu acelerar o desenvolvimento e aprovação de vacinas e reunir farmacêuticas, governos e universidades para atingir resultados para a sociedade.

Os processos criados foram muito emergenciais. No entanto, Lobão considera que os mecanismos devem ser mantidos para que essas colaborações possam ser cada vez melhores. “A gente só pode esperar que o mundo tenha passado por todo esse sacrifício para ter aprendido alguma coisa para que a gente possa ter a aceleração cada vez mais nos processos”, ele avaliou.

Inovação em vacinas

"A gente não vai conseguir parar essa pandemia se a gente não vacinar a população mundial e a gente sabe que hoje menos de 10% da África está vacinada", ressaltou Clemens. (Fonte: Estadão Summit Saúde 2021/Reprodução)
“A gente não vai conseguir parar essa pandemia se a gente não vacinar a população mundial e a gente sabe que hoje menos de 10% da África está vacinada”, ressaltou Clemens. (Fonte: Estadão Summit Saúde 2021/Reprodução)

Para a professora de Saúde Global Sue Ann Costa Clemens, da Universidade de Oxford e diretora do Grupo de Vacinas Oxford-Brasil, as grandes inovações na produção de vacinas têm origem na academia.

“A gente esperava que as primeiras vacinas contra a covid-19 viessem de grandes farmacêuticas e até hoje elas não apresentaram imunizantes, mas se beneficiaram de parcerias com universidades”, afirmou Clemens. Exemplos da celeridade da inovação acadêmica, em parceria com farmacêuticas, são os imunizantes criados pela BioNTech e pela Oxford.

Elizabeth de Carvalhaes, presidente-executiva da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), destaca que a indústria farmacêutica é um dos setores primordiais da pandemia. 

No Brasil, o setor tem faturamento de R$ 110 bilhões por ano, um dos mais relevantes do setor industrial. Carvalhaes argumenta que o segmento necessita de mais apoio governamental para ampliar seu parque industrial.

Desenvolvimento de tratamentos

Takeda investe US$ 5 bilhões por ano em inovação com mais de 200 parcerias. (Fonte: Estadão Summit Saúde 2021/Reprodução)
Takeda investe US$ 5 bilhões por ano em inovação com mais de 200 parcerias. (Fonte: Estadão Summit Saúde 2021/Reprodução)

“A inovação no desenvolvimento de terapias pode ser dividida em três tipos de rotas tecnológicas”, explicou o médico infectologista Esper Georges Kallás, professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Estes são:

  • inovação incremental, que é o método mais acessível e acontece quando um medicamento aprovado contra uma doença é utilizado para combater outra patologia, como o antiviral ritonavir da Pfizer, desenvolvido inicialmente para a Aids;
  • inovação radical, a qual utiliza um produto em fase experimental e necessita trilhar todo o caminho de desenvolvimento até ele poder ser usado em pessoas e, portanto, é o mais longo e caro;
  • abordagem de anticorpos neutralizantes, que é a rota mais rápida, na qual essas proteínas são produzidas pelo organismo e melhoradas em laboratório para impedir a multiplicação de vírus — “O resultado é extraordinário, você tem mais de 80% do bloqueio da produção da doença”, comentou Kallás).

Os novos tratamentos que estão sendo testados podem representar um grande avanço no combate à covid-19. A pesquisadora Margareth Dalcolmo, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), avaliou que os comprimidos apresentam vantagens como a administração oral e em casa. 

A pesquisadora ressalta que a Fiocruz iniciou um diálogo com a Merck para fabricar o molnupiravir no Brasil. O medicamento está em análise de uso emergencial pelo Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos.

A programação do Estadão Summit Saúde acontece até sexta-feira (22). Ainda dá tempo de se inscrever e participar.     

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Fonte: Estadão Summit Saúde 2021.

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