Summit Saúde 2021: pandemia pode ensinar o Brasil a inovar melhor

19 de outubro de 2021 4 mins. de leitura
A crise causada pelo Sars-CoV-2 mostrou que o Brasil precisa de uma nova estratégia para desenvolver a inovação científica, avaliou Dimas Covas

Conheça o maior e mais importante evento do setor de saúde do Brasil.

A inovação e o futuro dos investimentos em pesquisa foi o principal tema da programação do segundo dia do Estadão Summit Saúde 2021, nesta terça-feira (19). O evento online e gratuito é considerado o mais importante e o maior do segmento. 

Investimentos bilionários de governos, fundações e empresas possibilitam a descoberta, em tempo de recorde, de vacinas contra o novo coronavírus. O médico e professor Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan, abordou como a experiência com a crise sanitária pode mudar a mentalidade sobre o financiamento científico para acelerar pesquisas de outras doenças importantes.

Para Covas, a pandemia mostrou um lado muito bom, mas também revelou, como no caso do Brasil, as fragilidades e as mazelas que estavam ocultas, “principalmente no que se diz respeito ao sistema de inovação e pesquisa à capacidade de resposta a desafios”. O médico avalia que o País precisa de uma nova estratégia no setor para dominar tecnologias de ponta.

Panorama de inovação e pesquisa

Para Covas, a inovação não ocorre da universidade, e sim nasce da necessidade do mercado. (Fonte: Estadão Summit Saúde 2021/Reprodução)
Para Covas, a inovação não ocorre da universidade, e sim nasce da necessidade do mercado. (Fonte: Estadão Summit Saúde 2021/Reprodução)

“O desenvolvimento de vacinas contra covid-19 reflete a maturidade dos sistemas de pesquisa e de inovação dos diversos países”, refletiu Covas. Os locais que têm políticas definidas para o desenvolvimento da ciência e tecnologia são os que estão mais contribuindo para o combate à pandemia.

Inscreva-se agora para o mais relevante evento de saúde do Brasil. É online e gratuito!

Atualmente, oito vacinas representam mais de 90% das 7 bilhões de doses usadas no mundo. A China foi responsável pela produção e distribuição de mais da metade desse volume, seguida pelos Estados Unidos, com cerca de 2 bilhões de doses das vacinas da Pfizer, Moderna e Janssen. 

O quadro dos principais produtores também inclui a Europa, responsável pelo desenvolvimento do imunizante da AstraZeneca, produzido em laboratórios chineses e indianos.

A maioria dos países são apenas compradores e importadores da inovação. O Brasil, que não tinha capacidade para o desenvolvimento sozinho de vacinas e sem experiência contra outros coronavírus, tornou-se um incorporador das tecnologias.

Aprendizado com a pandemia

"No Brasil, há uma confusão entre pesquisa, desenvolvimento e inovação, que são campos distintos no mesmo setor", afirmou o diretor do Butantan. (Fonte: Estadão Summit Saúde 2021/Reprodução)
“No Brasil, há uma confusão entre pesquisa, desenvolvimento e inovação, que são campos distintos no mesmo setor”, afirmou o diretor do Butantan. (Fonte: Estadão Summit Saúde 2021/Reprodução)

Como não há investimento adequado em inovação, o Brasil não pode esperar pelo modelo clássico, em que a pesquisa leva a uma patente e depois a um produto. “É preciso pensar nos chamados modelos abertos de inovação”, ressaltou Covas. O País precisa identificar onde há inovação e trazê-la, em um primeiro momento, como imitador para ganhar experiência e dominar o processo.

O médico cita o exemplo do Instituto Butantan, que conseguiu sair de uma pequena unidade fabril para ser um dos maiores produtores de vacina contra a covid-19 do mundo em apenas 14 meses, tendo já produzido 2 bilhões de doses. Isso foi possível por meio de um acordo que permitiu o codesenvolvimento da Coronavac no Brasil.

Outro caminho é utilizar o poder de compras dos órgãos públicos, por meio da legislação brasileira se prevê as encomendas tecnológicas. O mecanismo permite a incorporação de novos processos e produtos inovadores e foi usado, pela primeira vez, no contrato da AstraZeneca com a Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz). “Nós podemos insistir nesse modelo, porque é certamente ele é usado por outros países e foi o modelo que permitiu ao homem chegar à Lua”, completou Covas.

A programação do Estadão Summit Saúde acontece até sexta-feira (22). Ainda dá tempo de se inscrever!     

Não perca nenhuma novidade sobre a área da saúde no Brasil e no mundo. Inscreva-se em nossa newsletter.

Fonte: Estadão Summit Saúde 2021.

Este conteúdo foi útil para você?

106310cookie-checkSummit Saúde 2021: pandemia pode ensinar o Brasil a inovar melhor