Setores da oncologia adotam medidas para resguardar a saúde de pessoas em tratamento contra o novo coronavírus

Um estudo conduzido na China pelo Centro Nacional de Pesquisa Clínica para Doenças Respiratórias apontou que pessoas com câncer têm três vezes mais riscos de sofrerem com outros problemas de saúde severos caso sejam contaminadas com o novo coronavírus.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já declarou a doença como uma pandemia, e a covid-19 vem causando consequências em diversos setores da sociedade, principalmente para pacientes com câncer. Como os tratamentos oncológicos tendem a deixar as pessoas mais debilitadas e com a imunidade baixa, foi necessária a aplicação de medidas que reduzissem os riscos de contágio pelo novo coronavírus em pacientes em tratamento.

Com mais de 200 mil casos de covid-19 confirmados nos Estados Unidos, Len Lichtenfeld, oficial médico da American Cancer Society, afirmou em um comunicado que o país está prestes a viver um período de mudanças severas no tratamento de pacientes com câncer.

Enquanto consultórios e hospitais oncológicos tentam se adequar às medidas preventivas propostas, diversos pacientes com casos não urgentes precisam passar pelo estresse e pela ansiedade de terem consultas e procedimentos simples desmarcados. Como tratamentos comuns de combate ao câncer, como quimioterapia, radioterapia e imunoterapia, causam supressão do sistema imunológico, o mais recomendado é que os enfermos sigam as recomendações médicas da OMS sobre o isolamento social e evitem se expor ao coronavírus.

Situação no Brasil

(Fonte: Pxhere)
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Tendo em vista a chegada do novo coronavírus em território brasileiro, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) publicou um comunicado em seu portal oficial para dar recomendações e ordens que devem ser seguidas pelos serviços oncológicos e por pacientes em tratamento. Segundo a instituição, neste momento de pandemia, pacientes que precisam de acompanhantes em tempo integral não podem receber visitas, e aqueles que não usam os serviços de acompanhamento poderão ter apenas um visitante por dia.

Em atendimentos ambulatoriais, mesmo em casos pediátricos, somente uma pessoa deve permanecer com o paciente. Visitas nos Centro de Tratamento e Terapia Intensiva (CTI) estão suspensas, e os horários de visitação para os demais casos serão restritos, para impedir aglomerações.

Entre as recomendações feitas pelo Inca está o pedido para que pessoas com mais de 60 anos de idade e crianças evitem visitar pacientes com câncer. O Instituto aconselha que todos os acompanhantes tenham menos de 60 anos e não apresentem qualquer um dos sintomas da covid-19: febre, cansaço, tosse seca e/ou dificuldades respiratórias.

Além disso, a distribuição de tíquetes de almoço para os acompanhantes foi suspensa para evitar um grande fluxo de pessoas nos corredores dos hospitais oncológicos. O Inca salientou a necessidade de seguir os procedimentos de higienização de mãos e objetos para impedir que o vírus se mantenha vivo em superfícies.

Guia de comportamento

(Fonte: Pxhere)
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O Instituto Oncoguia, visando reforçar as ordens concedidas pela OMS e pelo Inca, desenvolveu um manual a ser seguido por pacientes com câncer para evitar que sejam contaminados pelo novo coronavírus. Em seu site, a organização reforça a necessidade de todos se manterem longe de pessoas com qualquer sintoma gripal ou que tenham realizado viagem internacional recentemente. É essencial que parentes que convivem com o paciente com câncer também evitem o contato com terceiros que tenham suspeita de covid-19.

Evitar contato físico como beijos e abraços também é uma medida para evitar a contaminação pelo vírus. É importante, ainda, não tocar os olhos, o nariz e a boca e cobrir a boca e o nariz com o braço ou um lenço ao espirrar e tossir.

Por fim, o instituto apontou que consultas médicas oncológicas e exames de rotina devem ser reagendados, para diminuir a exposição. Porém, o Instituto Oncoguia ressalta que de forma alguma os pacientes devem interromper o tratamento de combate ao câncer, comunicando-se sempre com a equipe médica para decidir qual é a forma mais adequada para continuar os procedimento já iniciados.

Fonte: Oncoguia, INCA, Healthline e The Lancet.