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Pesquisa revela que impactos negativos da qualidade do ar não se restringem a doenças cardiovasculares e pulmonares

O desenvolvimento do cérebro é comprometido pela poluição atmosférica, apontada como um dos fatores responsáveis pelo aumento das chances de manifestação de distúrbios neurológicos. Isso é o que indica um estudo da Universidade da Califórnia, corroborando evidências epidemiológicas demonstradas anteriormente que confirmam essa associação.

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De acordo com Pamela Lein, toxicologista e autora principal da publicação, cientistas se dedicam há décadas a análises detalhadas dos impactos da qualidade do ar na saúde pulmonar e cardiovascular, mas pouco foi feito em relação ao principal órgão do sistema nervoso. Apesar de pesquisadores já terem documentado o vínculo entre pessoas que moravam próximo a estradas movimentadas e o surgimento de problemas como autismo, dados pré-clínicos baseados em exposição à poluição em tempo real eram escassos ou inexistentes.

Pesquisas sobre impactos da poluição gerada por veículos no desenvolvimento do cérebro são escassas.
Pesquisas sobre impactos da poluição gerada por veículos no desenvolvimento do cérebro são escassas. (Fonte: Unsplash)

Visando mudar esse cenário, Lein trabalhou com o cientista atmosférico Anthony Wexler e a estudante de doutorado em Farmacologia e Toxicologia Kelley Patten para desenvolver uma nova abordagem, criando um modelo que demonstrasse o quanto a poluição gerada por tráfego intenso de veículos poderia ser danosa ao desenvolvimento do cérebro.

O método foi simples: eles montaram um viveiro de roedores perto de um túnel no norte da Califórnia, reproduzindo a experiência de seres humanos que vivem em locais semelhantes. "Foi uma maneira criativa de abordar a questão do impacto da poluição do ar no cérebro, desconsiderando-se fatores como influências socioeconômicas e dieta, que costumam confundir resultados", explicou Lein em entrevista ao ScienceDaily. "É importante saber se viver próximo a essas estradas é um fator de risco".

"Em caso afirmativo, cientistas podem alertar grávidas sobre as precauções necessárias para minimizar riscos à saúde cerebral dos filhos, especialmente aquelas que já enfrentaram diagnósticos do tipo na família", finalizou.

Desafios e defesa da saúde pública

A partir do estudo, foi constatado que filhotes de ratos expostos à poluição atmosférica apresentaram crescimento anormal do cérebro e aumento de casos de neuroinflamação, um processo de defesa fisiológica que, em desequilíbrio, é associado à recorrência de doenças do sistema nervoso central. Patten afirmou: "Nos deparamos com alterações sutis, mas que, de fato, foram detectadas. Aliadas a outros fatores de riscos ambientais e genéticos, elas podem ter um efeito muito maior".

Experiência é mais assertiva por desconsiderar fatores que confundam resultados.
Experiência é mais assertiva por desconsiderar fatores que confundem resultados. (Fonte: Unsplash)

Patten aprofundou sua análise em pesquisa separada, ainda em desenvolvimento, estendendo a exposição de roedores por 14 meses, para identificar consequências de longo prazo. Além disso, a equipe se dedica a descobrir qual componente da poluição é o maior responsável pelos problemas. Se for bem-sucedida, é possível que medidas de prevenção com base científica sejam adotadas por órgãos reguladores.

Tais resultados só foram atingidos graças a novas técnicas e à presença de um time multidisciplinar, que incluiu engenheiros, toxicologistas, biólogos, analistas comportamentais e especialistas em cuidados com animais. "Conseguimos montar um grupo único e talentoso. Aproveitamos a oportunidade para alcançar nossos objetivos o mais rápido possível. Esse tipo de esforço é, a cada dia, mais necessário para que atuemos junto a grupos de interesse para proteger a saúde da população."

Keith Bein, que também colaborou com a pesquisa, disse que o maior desafio agora é replicar a abordagem em seres humanos. Ainda assim, trata-se de um passo determinante para metas futuras e para entender, realmente, como a qualidade do ar afeta todos nós além do que já se sabe.

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Fontes: ScienceDaily e BDTD.