Fatores de risco estão deixando a população jovem mais vulnerável a infartos

Doenças cardiovasculares são responsáveis por mais de 30% dos óbitos no Brasil, de acordo com um indicador criado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Não é à toa que os ataques cardíacos correspondem a um dos males mais temidos no mundo; apesar disso, poucas pessoas realmente conhecem os riscos em jovens ou se preocupam em buscar formas de prevenção.

Dados fornecidos pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus) mostram, desde 2013, que o número de infartos em pessoas com menos de 30 anos de idade está aumentando. Ainda que indivíduos com mais de 40 anos sigam sendo o maior público de risco, há algumas condições que exigem mais atenção voltada aos jovens.

Para começar, não há um consenso médico sobre o nível de mortalidade ter ou não a ver com a idade, de acordo com especialistas do Hospital Albert Einstein, Fábio Gazelato, por exemplo, defende que os mais jovens têm grandes chances de recuperação, enquanto Eduardo Mesquita afirma que os riscos são maiores devido à falta da circulação colateral, relacionada a pequenos vasos sanguíneos que compensam a irrigação causada por uma artéria entupida, um tipo de proteção comum conforme a pessoa envelhece ou tem infartos ao longo da vida.

No quesito sequelas, a idade não é o fator determinante, mas sim a velocidade dos primeiros socorros, visto que a primeira hora após o ataque é essencial para reduzir efeitos negativos. O que pode acontecer é que, por não haver muito conhecimento sobre a incidência de infartos em jovens, estes não acharem que estão sofrendo um. Então, com a demora para procurar ajuda, as sequelas podem ocorrer com mais frequência.

Principais causas

(Fonte: Shutterstock)

Não há dúvidas de que a predisposição genética aumenta os riscos em qualquer idade, mas as razões principais para o grande número de infartos está no estilo de vida, de acordo com informações concedidas ao site oficial do Hospital Israelita Albert Einstein por Eduardo Mesquita de Oliveira.

Em grande parte dos casos, a culpa está na combinação de sedentarismo, má alimentação e estresse. Jovens adultos estão sendo cada vez mais vítimas desses hábitos, principalmente nas agitações de grandes cidades. Trabalho, estudos, família e relacionamentos trazem ansiedade, o que faz com que o organismo comece a dar sinais de problemas.

Outras questões que não podem ser ignoradas são tabagismo e uso de drogas. O número de fumantes no País diminuiu, porém, de acordo com o Ministério da Saúde, os grupos de 18 anos a 24 anos e 35 anos a 44 anos foram na contramão e se tornaram mais adeptos do cigarro.

Quanto às drogas, a mais problemática é a cocaína (e derivadas), já que seu consumo sobrecarrega o coração. Mesmo uma única utilização pode culminar em infarto, principalmente se houver combinação com outros fatores de risco, como obesidade, diabetes, distúrbios do sangue e doenças genéticas como cardiomiopatia hipertrófica.

Sintomas e prevenção de ataques cardíacos

(Fonte: Shutterstock)

Conscientizar a população a respeito dos riscos de ataques cardíacos em qualquer idade é um desafio a ser considerado com muita atenção. Seja para reduzir o número de óbitos, seja para evitar sequelas, todas as pessoas podem melhorar as estatísticas se souberem com o que estão lidando. O trabalho de prevenção também deve ser levado mais a sério, sem que achem que está "muito cedo" para se preocupar.

Os sintomas mais comuns de infarto são dor no peito, no pescoço, nas costas ou nos braços, normalmente acompanhada de fadiga, arritmia, enjoo e tontura. O formigamento no braço é percebido muitas vezes, principalmente pelos homens; nas mulheres, é possível que surjam também dores na garganta, no queixo e no estômago, além de falta de ar.

Fonte: Hospital Israelita Albert Einstein.