É preciso estar atento às informações valiosas presentes nas embalagens

Diante da enorme variedade de produtos alimentícios disponíveis nas prateleiras dos supermercados, rótulos são ferramentas importantes para ajudar o consumidor a decidir quais consumir. Os dados nutricionais são extremamente relevantes para a saúde, ajudando a identificar a porcentagem de açúcar, sódio e gordura. Sabe-se, inclusive, que um olhar atento às informações contidas nos rótulos pode levar a escolhas mais conscientes e saudáveis na hora de comprar.

A regulação dos rótulos

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é o órgão responsável por definir quais informações devem estar presentes nas embalagens dos alimentos, bem como normatizar a forma como devem ser indicadas. Essas normas passam por revisões e alterações de tempos em tempos, refletindo mudanças nos padrões alimentares e demandas da sociedade civil. Uma delas está em curso, e, em 9 de dezembro, encerrou-se a consulta pública sobre uma nova resolução referente à rotulagem nutricional dos alimentos.

Entre outras mudanças, ela propõe um modelo de rotulagem frontal (FOP) obrigatório para alimentos embalados, contendo a indicação de quantidades excessivas de açúcares adicionados, gorduras ou sódio como forma de dar maior destaque a essas informações.

Modelo de rotulagem frontal proposto pela Anvisa. (Fonte: IDEC)

“O objetivo é facilitar a compreensão da rotulagem para que o consumidor possa fazer as suas escolhas”, afirma Thalita Antony de Sousa, gerente-geral de alimentos na Anvisa, em texto publicado pelo Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), entidade que integra o grupo de trabalho criado pela agência reguladora para discutir mudanças no sistema de rotulagem.

Atenção ao rótulo: escolha que faz bem à saúde

Nem todas as informações relevantes para a saúde do consumidor aparecem com destaque nos rótulos, por isso é importante dar atenção não apenas aos chamados claims do produto (informações que chamam mais atenção no rótulo, as mensagens “vendedoras”) mas também à lista de ingredientes e tabela nutricional. São elas que revelam, de fato, o que o alimento contém, já que alegações genéricas como “diet”, “light”, “produto natural” e “integral” podem induzir ao erro.

Ana Paula Bortoletto, doutora em Nutrição e Saúde Pública e líder do Programa de Alimentação Saudável do Idec explica, em texto publicado no site do Ministério da Saúde, que “aparecer açúcar, sal ou gordura como primeiro [item] da lista de ingredientes é um sinal de alerta, pois significa que o produto tem mais desses ingredientes do que qualquer outro componente”.

De acordo com a legislação, a lista deve informar os ingredientes presentes em maior quantidade no produto em ordem decrescente: quanto mais no início da lista, maior a presença do elemento na formulação.

Já a tabela nutricional mostra a proporção de determinados nutrientes (proteínas, carboidratos, fibras, entre outros) na porção indicada pelo fabricante e o quanto ela representa, em termos percentuais, do valor diário recomendado para consumo (VD). Essa tabela ajuda o consumidor a comparar produtos similares e as quantidades de cada nutriente; por exemplo, entre dois pães de forma, qual contém mais fibras.

Hoje, os fabricantes podem recomendar diferentes porções para consumo, o que torna mais complicado fazer essa comparação, mas isso deve mudar em breve. De acordo com o Idec, a mesma resolução que deverá alterar a rotulagem frontal dos alimentos padronizará a porção recomendada em 100 gramas (ou 100 mililitros), facilitando a vida do consumidor.

(Fonte: Freepik)

Rotulagem como aliada contra alergias alimentares

Intolerâncias e alergias alimentares são pontos de atenção que impõem uma leitura ainda mais minuciosa dos rótulos. A indústria pode utilizar termos técnicos ou variantes pouco conhecidas para nomear ingredientes que provocam alergias em determinados indivíduos, levando ao consumo inadvertido dessas substâncias. Para evitar esses problemas, em 2015 a Anvisa estabeleceu normas mais rígidas para a especificação de alergênicos nos rótulos, tornando essas informações mais claras e obrigatórias.

A embalagem deve conter uma advertência explícita sobre a presença de ingredientes alergênicos (ou seus derivados), utilizando o seu nome popularmente conhecido. A declaração de alergênicos deve aparecer ainda que o alimento contenha apenas traços do produto devido à contaminação cruzada, que acontece quando, em algum ponto do processo produtivo, há a presença acidental do ingrediente em um produto do qual ele não faz parte.

Seja por alguma necessidade específica, seja pela busca de uma alimentação mais saudável, incorporar a leitura dos rótulos aos hábitos de compra é uma escolha que só traz benefícios ao consumidor.

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Fontes: Portal Anvisa, Idec, Ministério da Saúde.