Pesquisa revela muitas visões da população acerca do SUS, porém a avaliação geral continua ruim

Segundo dados do Datafolha, em pesquisa encomendada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), 55% dos entrevistados avaliam a saúde no Brasil como péssima ou ruim. Por mais que esses números sejam um pouco melhores do que em anos anteriores, ainda são elevados e mostram o quanto a população sofre com o serviço, tendo como principais queixas o elevado tempo de espera, a falta de aporte financeiro ao Sistema Único de Saúde (SUS) e a má gestão.

Em relação às pesquisas dos anos anteriores (2014 e 2015), houve melhoria na avaliação daqueles que identificaram a saúde no País como regular (34%) ou boa/excelente (10%). Entre os participantes do levantamento constam tanto os que têm plano de saúde quanto os que não têm, já que mesmo os que utilizam plano particular também fazem uso de algum serviço público de saúde.

A pesquisa, realizada em 2018 com 2.087 pessoas, apontou que 39% dos entrevistados que eram usuários do SUS avaliaram a saúde como a primeira prioridade do governo federal, média muito próxima dos 40% que não fazem uso do sistema, mas que também definiram o tema com importância máxima. A saúde ficou na frente de áreas que são de constante apelo popular, como educação e combate ao desemprego e à corrupção.

O lado positivo

De acordo com o levantamento do Datafolha, quando o assunto foi acesso ao SUS, 97% dos entrevistados disseram ter buscado algum tipo de atendimento no sistema, o que representa uma marca altíssima. No ranking de serviços mais procurados, o primeiro lugar foi acesso a vacinas (80%), seguido por atendimento em postos de saúde (78%) e consultas com médicos em postos de saúde (72%).

Ambulância do SUS aguarda paciente no hospital. (Fonte: Photocarioca/Shutterstock)

A pesquisa revelou também que o cidadão está contente com a qualidade dos serviços prestados pelo SUS, visto que 39% avaliaram como bom/excelente e 38% como regular, sendo apenas 22% aqueles que consideram o serviço péssimo/ruim.

O serviço com melhor avaliação foi o de vacinas, tido como bom/excelente por 66% daqueles que fizeram uso. Outras funções que tiveram taxa alta de bom/excelente foram realização de cirurgias (53%), exames de laboratório (52%) e atendimento domiciliar com médico da rede pública (51%).

Pontos negativos

O tempo de espera para atendimento foi relatado com ponto negativo por 24% dos pacientes. Outra questão alvo de reclamações foi a falta de recursos financeiros para o sistema de saúde, alcançando 15% das pessoas consultadas.

Em entrevista à Revista Consensus, o presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Wilames Freire Bezerra, afirmou que “nos últimos 30 anos, o financiamento da saúde vem sendo debatido em várias instâncias, e há um consenso quanto à insuficiência de recursos para viabilizar um sistema universal, garantido constitucionalmente, em um território continental e com mais de 200 milhões de habitantes”.

Vale lembrar que, de acordo com o que está previsto em lei, os estados devem aplicar à saúde no mínimo 12% dos impostos arrecadados. No caso dos municípios, a lei aponta que os investimentos precisam ser de, no mínimo, 15%.

O tempo de espera para atendimento é um dos principais problemas relatados. (Fonte: Shutterstock)

Além da falta de financiamento, o estudo mostrou que 12% dos entrevistados identificaram a má gestão do SUS como principal motivo pelo atendimento deficiente do sistema. Pela ótica da população, a péssima administração associada ao subfinanciamento formam um grande entrave para a entrega de um trabalho de qualidade.

Contudo, o grande problema relatado pelos entrevistados talvez seja o alto tempo de espera para procedimentos mais específicos e complexos. Dos cinco itens relacionados a atendimento que tiveram avaliação negativa de mais de 50%, três estão relacionados a prazos: tempo de espera para fazer cirurgias (61%), tempo de espera para realizar exames de imagem (56%), tempo de espera para conseguir consulta (55%).

Outra deficiência relatada foi a dificuldade em ser atendido por médicos especialistas, avaliada por 52% como péssima/ruim. A mesma porcentagem indicou como é difícil conseguir um leito de unidade de terapia intensiva (UTI) quando há necessidade.

Prioridade de ações

A população, ao que demonstra a pesquisa, sabe muito bem o que é necessário para fazer com que a saúde brasileira consiga trilhar melhores caminhos e apresentar um serviço eficiente e efetivo. Entre os 2.087 entrevistados, 26% afirmaram que a grande prioridade, tanto para políticos quanto para administradores, deveria ser combater a corrupção na área da saúde.

Outra ação fundamental para a melhoria do serviço seria a necessidade de reduzir o tempo de espera para a realização de consultas, exames e cirurgias. A preocupação fica evidente, visto que 29% disseram precisar esperar mais de 12 meses para ter acesso a esses serviços.

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Fontes: Conselho Federal de Medicina, Portal da Legislação e Conass.