Anticoncepcional: riscos, benefícios e como funciona

23 de outubro de 2021 4 mins. de leitura
Criação do anticoncepcional representou um avanço nos direitos sexuais da mulher, mas a pílula apresenta riscos nem sempre conhecidos

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A pílula anticoncepcional foi lançada comercialmente nos Estados Unidos em 1960, quando o método contraceptivo ainda era ilegal naquele país. Apesar de contribuir para conquistas importantes nos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, começaram a aparecer efeitos colaterais indesejáveis e até perigosos devido às altas doses de hormônios que eles têm. Meio século depois, a indústria farmacêutica produz pílulas com doses muito mais baixas, mas o medicamento ainda apresenta riscos.

Como funciona a pílula anticoncepcional?

A pílula anticoncepcional combina estrógeno e progesterona para inibir a ovulação, impedindo a liberação do óvulo. O remédio ainda atua para alterar o muco endocervical no endométrio, evitando que os espermatozoides atinjam as trompas, onde ocorre a fecundação.

Os efeitos do remédio já são sentidos no primeiro dia. No entanto, é recomendável ter relações sexuais após um ciclo completo de aplicação, que envolve a ingestão diária da pílula por um período, geralmente, de 21 dias com uma pausa de sete dias para que a menstruação possa ocorrer e iniciar uma nova cartela no oitavo dia. Há a opção, ainda, de pílulas de uso ininterrupto, que ajudam a reduzir os incômodos e dores menstruais.

Quais são os benefícios e os riscos do anticoncepcional?

As pílulas podem auxiliar em casos de disfunções hormonais. (Fonte: Shutterstock/Africa Studio/Reprodução)
As pílulas podem auxiliar em casos de disfunções hormonais. (Fonte: Shutterstock/Africa Studio/Reprodução)

O principal benefício do medicamento é seu funcionamento contraceptivo, com um índice de eficácia de 98% contra a gravidez. Ao fornecer doses adequadas de hormônios, o remédio reduz as cólicas e a tensão pré-menstrual (TPM), diminui o fluxo menstrual e regula o ciclo de menstruação. Em muitas mulheres, a pílula também melhora quadros de acne ou hirsutismo.

A pílula pode reduzir em até 50% as chances do desenvolvimento de câncer de ovário ou endométrio com o uso ao longo de cinco anos, e de até 70% quando usada por dez anos. Entretanto, o uso é desaconselhado para mulheres que tiveram câncer de mama ou ovário.

O medicamento pode contribuir para o aumento de riscos cardiovasculares, como a ocorrência de acidente vascular cerebral (AVC), infarto e trombose. Isso acontece especialmente em mulheres com histórico de tabagismo, hipertensão, obesidade ou diabetes.

O que os hormônios do anticoncepcional podem causar?

A progesterona e o estrógeno presentes na pílula podem provocar náuseas, sensibilidade mamária, dores de cabeça e enxaqueca. Os efeitos colaterais também podem incluir ganho de peso, mudanças de humor, diminuição da libido e espessamento da córnea nos olhos.

Com o uso do remédio, pode acontecer o sangramento vaginal entre os ciclos menstruais, principalmente quando o corpo está se adaptando às mudanças hormonais. A pílula pode aumentar ou diminuir a lubrificação vaginal ou alterar a natureza do corrimento.

Quais são as outras opções para as mulheres?

Outros métodos contraceptivos funcionam como barreira física para evitar gravidez. (Fonte: Shutterstock/Pixel-Shot/Reprodução)
Outros métodos contraceptivos funcionam como barreira física para evitar gravidez. (Fonte: Shutterstock/Pixel-Shot/Reprodução)

Muitas mulheres têm optado por não usar a pílula por motivos diversos, como recomendação médica, os efeitos secundários do remédio, custo e praticidade. Os principais métodos contraceptivos alternativos ao medicamento são:

  • Dispositivo intrauterino (DIU): um objeto em forma de T é introduzido no útero para funcionar como barreira física aos espermatozoides, podendo permanecer por até cinco anos no local.
  • Diafragma vaginal: o dispositivo deve ser colocado em até 24 horas antes das relações sexuais para impedir a chegada do espermatozoide ao útero. O objeto pode ser lavado e utilizado por até dois anos.
  • Camisinha feminina: assim como a versão masculina, o método impede o contato direto entre os órgãos sexuais e previne Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST).  

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Fonte: Associação Beneficente Síria (HCor), Jornal da USP, Drauzio Varella, Deutsche Welle (DW), Mater Prime, Estadão.

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