Busca por yoga e tai chi chuan cresce no SUS

30 de setembro de 2019 4 mins. de leitura
A procura pelas chamadas Práticas Integrativas e Complementares aumentou 46% nos últimos 2 anos

O número de pessoas buscando por Práticas Integrativas Complementares (PICS) no Sistema Único de Saúde (SUS) aumentou de 216 mil para 315 mil entre 2017 e 2018. No mesmo período foi registrado crescimento de 157 mil para 355 mil no número de procedimentos relacionados a essas práticas, o que significa aumento de mais de 126%. Além disso, o número de participantes dessas atividades cresceu 36%, indo de 4,9 milhões para 6,67 milhões no período.

O que são as PICS?

PICS são tratamentos reconhecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) que utilizam recursos terapêuticos aplicados com conhecimentos da medicina tradicional e ajudam a prevenir diversas enfermidades ou facilitam o tratamento paliativo de algumas doenças crônicas.

Essas práticas começaram a ser ofertadas pelo SUS em 2006 em cinco modalidades: medicina tradicional chinesa/acupuntura, homeopatia, medicina antroposófica, termalismo e fitoterapia. Atualmente, são 29 práticas oferecidas para a população de modo integral e totalmente gratuita em atendimento individual ou em grupo.

A indicação de um desses tratamentos acontece nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), no âmbito da Atenção Básica ou no atendimento especializado realizado em unidades hospitalares e centros específicos. Em 2017, 22.164 estabelecimentos atuavam nessa área; no ano seguinte, o número aumentou para 25.197, presentes em quase 54% dos municípios brasileiros, em todos os estados e o Distrito Federal.

Benefícios

Diversos documentos da OMS orientam os países a adotarem essas práticas nos seus sistemas nacionais de saúde, e plataformas reconhecidas de estudos científicos, como PubMed e Cochrane, também apontam os benefícios das práticas integrativas para complementar ações de saúde. A meditação, por exemplo, pode ajudar a reduzir riscos de problemas cardiovasculares e melhorar casos de depressão.

A yoga, uma das práticas ofertadas pelo SUS, é conhecida por seus benefícios físicos e mentais. Diversos estudos já comprovaram que a prática pode diminuir a liberação de cortisol, conhecido como o hormônio do estresse, e o exercício pode ser usado também no tratamento de dores crônicas causadas por lesões ou artrites, por exemplo.

Em um estudo, 42 indivíduos com síndrome do túnel do carpo receberam uma tala para imobilizar o punho ou fizeram yoga por 8 semanas. Ao fim do período, a yoga se provou mais eficaz em reduzir a dor e melhorar a força de preensão. Melhora na qualidade de sono e da respiração e alívio de enxaqueca também são benefícios da prática.

No caso da acupuntura, há estudos que comprovam a sua eficácia para a diminuição da dor em pacientes com fibromialgia.

PICS ofertadas pelo SUS

O que começou com 5 práticas oferecidas pelo SUS em 2006 se tornou hoje uma lista com 29 terapias ofertadas de forma integral e gratuita. Algumas são mais conhecidas pela população, como acupuntura, homeopatia e quiropraxia, outras nem tanto.

  • Apiterapia
  • Aromaterapia
  • Arteterapia
  • Ayurveda
  • Biodança
  • Bioenergética
  • Constelação familiar
  • Cromoterapia
  • Dança circular
  • Geoterapia
  • Hipnoterapia
  • Homeopatia
  • Imposição de mãos
  • Medicina antroposófica ou antroposofia aplicada à saúde
  • Medicina Tradicional Chinesa: acupuntura
  • Meditação
  • Musicoterapia
  • Naturopatia
  • Osteopatia
  • Ozonioterapia
  • Plantas medicinais: fitoterapia
  • Quiropraxia
  • Reflexoterapia
  • Reiki
  • Shantala
  • Terapia Comunitária Integrativa
  • Terapia de florais
  • Termalismo social ou crenoterapia
  • Yoga

Implantação das PICS

A Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) foi publicada em 2006 com o objetivo de instituir no SUS as abordagens de cuidado integral à população por meio de práticas que incluem cuidados terapêuticos diversos.

O responsável pela elaboração de normas para a inserção da PNPIC na rede municipal de saúde é o gestor municipal, e os recursos que integram o Piso da Atenção Básica (PAB) de cada município ficam a cargo dele, assim como a aplicação de acordo com as prioridades, ou seja, é ele quem decide como, quanto e como o orçamento será gasto. Ficam sob responsabilidade dele também os profissionais que serão contratados e as práticas que serão ofertadas.

Por isso, é de extrema importância estimular o fortalecimento dos debates sobre as práticas integrativas e complementares, incentivando os municípios a investirem os recursos do SUS em práticas que podem melhorar diversos aspectos da saúde da população.

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Fontes: Ministério da Saúde.

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