Câncer de próstata: conheça os benefícios da avaliação genômica

20 de novembro de 2020 4 mins. de leitura
Mapeamento do genoma do tumor permite o tratamento mais rápido e eficaz desse câncer, que está entre os que mais matam idosos

A ciência e a tecnologia têm apresentado respostas cada vez mais precisas e bem- sucedidas diante dos diferentes tipos de câncer. Em razão disso, os tratamentos podem ser mais eficazes, e a sobrevida dos pacientes com a doença é cada vez maior.

Isso ocorre com o câncer de próstata, que é causado por alterações genéticas nas células dessa glândula. É comum que o paciente chegue ao consultório médico quando a doença já está em fase avançada de metástase, razão pela qual ter informações genéticas sobre o tumor pode auxiliar no tratamento.

Neste novembro azul, mês que lembra a importância de promover a saúde dos homens, saiba como a avaliação genômica do câncer de próstata é uma das ferramentas usadas com sucesso no tratamento da doença.

Avaliação genômica

Ter informação sobre as características das células cancerígenas permite definir uma agenda terapêutica mais eficaz. (Fonte: Shutterstock)
Ter informação sobre as características das células cancerígenas permite definir uma agenda terapêutica mais eficaz. (Fonte: Shutterstock)

Os tratamentos oncológicos são resultados da intervenção de diversos campos do conhecimento na produção de soluções terapêuticas. Uma dessas contribuições se refere ao mapeamento genômico, que se trata do estudo da estrutura do genoma das células cancerígenas.

Isso é importante porque, ao analisar o DNA e o RNA dos tumores, pode-se ter um diagnóstico mais preciso sobre o quadro de saúde e um prognóstico de como as células cancerígenas tendem a se multiplicar no organismo. Dessa forma, é possível adaptar os protocolos de cuidado terapêutico para cada caso, aumentando o sucesso de tratamento.

O método mais comum para isso acontece a partir da retirada de uma parte do tumor seguido de uma análise em laboratório. Assim, pode-se saber se é mais interessante usar um tratamento mais agressivo ou se é mais oportuno atacar moléculas específicas das estruturas cancerosas.

Com a adoção de novos métodos de exames clínicos, é possível fazer isso também com um método denominado biópsia líquida. Nesse procedimento, em vez de fazer uma punção e extrair parte do tumor — um método invasivo para pacientes com a saúde fragilizada —, verificam-se traços genéticos das células afetadas por meio dos fluidos do corpo, como o sangue. Esse método analisa o DNA tumoral circulante (ctDNA).

Outro benefício recente é conhecer as formas de multiplicação mais provável de cada tipo de câncer, prevenindo possíveis incidências em outros órgãos e tecidos por meio de painéis gênicos. Assim, em vez de se pesquisar isoladamente determinados fatores, verifica-se um conjunto deles ao mesmo tempo, tornando esse diagnóstico mais rápido e barato.

Câncer de próstata

A hiperplasia das células da próstata pode ser verificada pelo exame de toque. (Fonte: Shutterstock)
A hiperplasia das células da próstata pode ser verificada pelo exame de toque. (Fonte: Shutterstock)

A próstata é uma glândula própria da anatomia masculina. Trata-se de um pequeno órgão localizado abaixo da bexiga e que envolve a porção final da uretra. Sua função é produzir parte do sêmen.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), ao se considerar os números absolutos de ocorrências dessa doença em ambos os sexos, o câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais comum na população. Por isso, sua ocorrência chama cada vez mais a atenção de médicos e pesquisadores.

Mais do que uma doença masculina, trata-se de uma doença cuja ocorrência se concentra predominantemente em homens idosos e, em cada quatro pessoas com a doença, três têm mais de 65 anos. 

Isso explica porque esse câncer tem sido mais comum, já que além da melhoria nos métodos de diagnóstico, o aumento na expectativa de vida também faz o índice de homens com câncer de próstata ser cada vez maior.

No entanto, se a ciência e a tecnologia têm avançado nas respostas à doença, há fatores socioculturais que dificultam o diagnóstico precoce. O toque retal ainda é a forma mais precisa para diagnosticar a possível ocorrência da doença, mas há muita resistência em relação a esse momento de autocuidado.

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Fontes: AC Camargo, Hospital Israelita Albert Einstein.

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