Colesterol potencializa o risco de Alzheimer, comprova estudo

17 de setembro de 2021 4 mins. de leitura
Composto gorduroso pode favorecer a produção excessiva da proteína beta-amiloide, associada ao surgimento do Alzheimer

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O colesterol alto pode prejudicar o coração e também o cérebro, tendo papel decisivo no surgimento do Alzheimer, doença que destrói a memória e outras funções mentais. Isso é o que revela um estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, no dia 17 de agosto, conduzido por cientistas da Scripps Research.

De acordo com os autores, a produção em excesso da proteína beta-amiloide (Aß) no cérebro, associada à doença que acomete mais de 1 milhão de pessoas no Brasil, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), é regulada pelo colesterol. A correlação foi comprovada ao observar a ação de outro nutriente, a apolipoproteína E (apo E).

A apo E age transportando o lipídio para os neurônios, contribuindo para a produção da Aß nas células. Dessa forma, os cientistas concluíram que um controle mais rígido da quantidade de gordura no cérebro poderia impedir esse contato, reduzindo a produção das proteínas e, consequentemente, prevenir o transtorno.

Placas de beta-amiloide interrompem a transmissão do impulso nervoso dos neurônios nos cérebros com a doença. (Fonte: Nobeastsofierce/Shutterstock/Reprodução)
Placas de beta-amiloide interrompem a transmissão do impulso nervoso dos neurônios nos cérebros com a doença. (Fonte: Nobeastsofierce/Shutterstock/Reprodução)

Por outro lado, a produção em demasia da beta-amiloide forma uma barreira nas membranas celulares dos neurônios, dificultando a transmissão do impulso nervoso entre eles. É nesse momento que começam a surgir a perda de memória, apontada como um dos primeiros sintomas do Alzheimer.

A relação entre colesterol e Alzheimer

A ligação entre esse tipo de gordura e a enfermidade já havia sido apontada em outras investigações científicas, mas a comprovação só veio agora. Usando técnicas avançadas de microscopia com alta resolução de imagem, os cientistas analisaram de perto a produção da Aß em células cerebrais de camundongos geneticamente modificados.

Durante a utilização da técnica, eles puderam verificar como a síntese da proteína voltou a um estágio quase normal quando houve a redução do colesterol produzido pelos astrócitos (células da glia). Com isso, as placas de Aß desapareceram, assim como os emaranhados de proteína tau, também associados à doença nos animais.

Participar de atividades em grupo, mantendo a cabeça ativa, ajuda a prevenir o transtorno. (Fonte: Robert Kneschke/Shutterstock/Reprodução)
Participar de atividades em grupo, mantendo a cabeça ativa, ajuda a prevenir o transtorno. (Fonte: Robert Kneschke/Shutterstock/Reprodução)

“Mostramos que o colesterol age essencialmente como um sinal nos neurônios, o que determina quanto da Aß é produzido. Portanto, não deveria ser surpreendente que a apo E, que transporta o colesterol para os neurônios, também influencie no risco de Alzheimer”, explicou o coautor do artigo e professor de Medicina Molecular Scott Hansen, da Scripps Research.

Embora o composto gorduroso tenha um papel decisivo na produção da Aß, favorecendo o surgimento da doença, os cientistas reiteram a sua importância em outros processos, como na manutenção da cognição normal. Em níveis adequados, o colesterol é necessário ao cérebro e ao organismo como um todo, não sendo apenas um vilão para a saúde.

Prevenindo a progressão da doença

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que surge quando o processamento de proteínas do sistema nervoso central começa a falhar. O transtorno tem maior incidência entre os idosos, que apresentam sintomas como perda de memória, dificuldade cognitiva, ansiedade, irritabilidade, entre outros.

As descobertas feitas sobre o colesterol produzido por astrócitos e a sua conexão com a síntese da Aß podem significar um novo caminho para frear a doença. A ideia da equipe de pesquisa é desenvolver formas de explorar o potencial desse processo para prevenir a progressão da enfermidade.

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Fonte: PNAS, Scripps Research, Ministério da Saúde.

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