Como reduzir a mortalidade da população

25 de agosto de 2020 4 mins. de leitura
Análise histórica e social sugere que população brasileira enfrenta problemas estruturais e básicos a serem superados

Um levantamento realizado por profissionais do Ministério da Saúde e do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia revelou que mudanças nos padrões de morbidade e mortalidade brasileiras demandam novas propostas de políticas na área, assim como uma análise detalhada dos cenários apresentados, uma vez que novos desafios que se colocam na agenda nacional podem prejudicar as conquistas alcançadas nos últimos anos.

De acordo com o estudo, existem três padrões que dividem espaço com outras causas e que podem ser bem caracterizados: doenças transmissíveis com tendência declinante, representadas por aquelas para as quais se dispõe instrumentos eficazes de prevenção e controle, como as imunopreveníveis; doenças transmissíveis com quadro de persistência, destacando-se hepatites B e C, tuberculose, leishmanioses, esquistossomose e malária; e doenças transmissíveis emergentes e reemergentes, com destaque para aids, dengue e hantavirose.

Doenças transmissíveis fazem parte dos padrões de mortalidade e morbidade brasileiras. (Fonte: Pixabay)

Ainda segundo a pesquisa, a partir da compreensão do desenvolvimento de cada quadro, é possível direcionar recursos à ampliação da efetividade das ações de promoção, prevenção e recuperação, já que, dentre as tendências observadas destacam-se a redução da mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias, o aumento das causas crônico-degenerativas e os agravos relacionados a acidentes e violência. “Temos visto que o reaparecimento, nas duas décadas passadas, de problemas como a cólera e a dengue, além de expor as frágeis estruturas ambientais urbanas em nosso país, as quais tornam as populações vulneráveis a doenças que pareciam superadas, amplia a já alta carga de doenças da população.”

Como consequência, afirmam os pesquisadores, custos elevados de manutenção de estruturas de cuidado comprometem ainda mais os orçamentos escassos que poderiam, na inexistência dos obstáculos, ser utilizados na solução de condições de saúde de maior magnitude, para os quais existem menores possibilidades de prevenção a curto prazo.

Origens dos problemas

Buscando entender quais são os principais responsáveis pelas taxas de mortalidade e comorbidade apresentadas, os pesquisadores apontam que problemas nutricionais e a necessidade do uso de mais recursos tecnológicos nos tratamentos de novas condições, implicando maiores custos, são exemplos.

Além disso, mortes e incapacidades prejudicam a população produtiva e impõem pesadas sobrecargas aos sistemas de saúde e previdenciário. Isso acaba criando uma sobreposição de riscos, em vez de apenas uma sucessão, originados da falta de solução para alguns problemas estruturais e básicos, da manutenção de condições e modo de vida inadequados e da insuficiência dos mecanismos que regulam os danos ao meio ambiente.

O quadro de desigualdade social entre regiões do Brasil também foi levado em conta, já que, dependendo do local, há maior recorrência de determinadas condições. “A frequência de qualquer doença, com raras exceções, aumenta com a redução do nível social e econômico dos grupos sociais. O agravamento das diferenças relativas mostra que as soluções em busca do cumprimento das potencialidades biológicas está se dando com diferentes intensidades, provocando uma ampliação das desigualdades”.

Nutrição e saneamento básico podem evitar diversas condições e eliminar obstáculos nos tratamentos de outras causas. (Fonte: Unsplash)

Redução de riscos

Para superar essas questões, são sugeridas decisões políticas mais limitadas, a exemplo da melhoria das condições de saneamento, o que proporcionaria a redução da ocorrência de uma série de doenças infecciosas e aliviaria demandas dos sistemas de saúde. Tais ações supririam a falta de resoluções no curto prazo de riscos gerados por processos globais e “devem ser, necessariamente, dirigidas para os determinantes das doenças, visando ao enfrentamento da complexidade da sua produção”.

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Fontes: Epidemiol.

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