Como será a qualidade dos serviços de saúde do Brasil no futuro?

22 de junho de 2021 5 mins. de leitura
Evento Governança Ambiental, Social e Corporativa: da Teoria à Prática, do Estadão Summit ESG, trouxe reflexões sobre área da Saúde

Conheça o maior e mais importante evento do setor de saúde do Brasil.

A saúde pública brasileira tem sido marcada por alterações ao longo do tempo. As dificuldades de um País jovem e a falta de investimentos na saúde, bem como a prevenção de doenças da população, originaram uma sociedade carente de iniciativas que pudessem mitigar os inúmeros desafios.

Foram vários os degraus pelos quais a sociedade passou até que, em 1986, a VIII Conferência Nacional de Saúde ensejou a proposta para a criação do Sistema Único de Saúde (SUS). Desta data em diante, muitas reorganizações surgiram e nos levaram à realidade atual. A Constituição Federal de 1988 preconizou o sistema e, em 1990, foi publicada a legislação que o regula, mas muitos desafios permanecem. 

A sociedade brasileira, especialmente os profissionais da Saúde, pesquisadores e cientistas, buscam alternativas que minimizem os desafios e resultem em um olhar mais humanizado para a saúde das pessoas, especialmente agora em que a pandemia do Sars-CoV-2 resulta em tantos óbitos.

Um bom exemplo desse esforço são os eventos que discutem e trocam experiências visando à melhoria dos serviços de atendimento à saúde, como o evento Estadão Summit ESG2021 – Governança Ambiental, Social e Corporativa: da Teoria à Prática.

Um dos tópicos abordados, em um painel realizado no dia 16 de junho deste ano, foi a qualidade dos serviços de saúde no País. Afinal, como será o futuro do Brasil nesse aspecto?

Pandemia: antes e depois

Arthur Chioro abordou os desafios do Brasil no pós-pandemia. (Fonte: Estadão Summit ESG2021/Reprodução)
Arthur Chioro abordou os desafios do Brasil no pós-pandemia. (Fonte: Estadão Summit ESG2021/Reprodução)

Segundo o doutor Arthur Chioro, ex-ministro da Saúde e Professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o Brasil deverá lidar em um futuro próximo com problemas desafiadores decorrentes da pandemia da covid-19.

Enquanto a população brasileira corresponde a 2/7 da população mundial, o número de óbitos resultantes da pandemia corresponde a 10% de óbitos no planeta. Isso mostra o impacto da pandemia no País.

Além disso, é necessário observar a possibilidade de haver novas endemias e epidemias. “Isso requer que o mundo esteja preparado, que as cidades, os estados e os governos estejam preparados. Então, mais do que nunca sua agenda de saúde pública, organização de sistemas nacionais de saúde e um aprimoramento de tratados internacionais sanitários são necessários”, comentou Chioro.

O invisível na agenda pública

Gonçalo Vecina ponderou sobre as sequelas decorrentes da pandemia e seus efeitos no SUS. (Fonte: Estadão Summit ESG2021/Reprodução)
Gonçalo Vecina ponderou sobre as sequelas decorrentes da pandemia e seus efeitos no SUS. (Fonte: Estadão Summit ESG2021/Reprodução)

O médico sanitarista Gonçalo Vecina, professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), deu ênfase às sequelas decorrentes da covid-19, que deverão ser enfrentadas pelos serviços de saúde e governos. 

“Temos que entender que a terra está esquentando […] para isso temos que ter consciência, porque, veja, os negacionistas estão aí para dizer que não está esquentando, que isso tudo é balela […]. Nós temos que acordar e ter um compromisso com o futuro”, advertiu o pesquisador.

A contribuição da iniciativa privada

Gonçalo Vecina ponderou sobre as sequelas decorrentes da pandemia e seus efeitos no SUS. (Fonte: Estadão Summit ESG2021/Reprodução)
O doutor Edi Souza defendeu ações voltadas aos cuidados humanos e ao meio ambiente. (Fonte: Estadão Summit ESG2021/Reprodução)

O diretor-executivo do Hospital Sírio-Libanês, Edi Souza, mencionou que em meio à pandemia de covid-19 o hospital criou mais de 100 leitos exclusivos para a doença em apenas seis meses, além de iniciativas de cuidado dos colaboradores, com o programa Proteger.

Ao encerrar sua participação, Souza mencionou a importância da preservação do meio ambiente: “o Sírio-Libanês, desde 2018, estabeleceu metas bastante importantes e desafiadoras na questão da emissão de gás efeito estufa, e conseguimos em 2019 nos tornar a primeira instituição do Brasil de carbono neutro”.

Serviços de saúde focados no usuário

Raquel Giglio menciona intervenção na saúde dos pacientes por meio da telemedicina. (Fonte: Estadão Summit ESG2021/Reprodução)
Raquel Giglio menciona intervenção na saúde dos pacientes por meio da telemedicina. (Fonte: Estadão Summit ESG2021/Reprodução)

Raquel Giglio, vice-presidente de Saúde e Odonto da SulAmérica, evidenciou as ações da instituição para aproximar o paciente com os cuidados da saúde por meio da telemedicina, em razão do isolamento social. Em 2018, esses atendimentos ocorreram em média de 500 casos por mês e, após março de 2020, esse número chegou a 1,5 mil por dia.

Por isso, é necessária a revisão de protocolos de atendimentos, unificando informações dos pacientes entre as redes privada e pública. Assim, os profissionais da Saúde acessariam imediatamente o histórico médico completo, independentemente do local de atendimento. E, com essas informações, muitas investigações poderiam ser descartadas e tratamentos otimizariam os resultados.

“Diante da pandemia, a maior constatação foi a de que a gente virou um país muito individualista, colocando o bem-estar individual acima do coletivo. Cabe uma reflexão de todos nós como sociedade”, ponderou Giglio. 

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Fonte: Summit Saude, Funasa, Fiocruz.

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