Covid-19: estudos analisam impacto de hormônio feminino

14 de abril de 2021 3 mins. de leitura
Progesterona tem propriedades anti-inflamatórias capazes de auxiliar na recuperação de homens internados com a doença

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Um estudo divulgado em março pelo Cedars-Sinai Medical Center revelou que doses de hormônio feminino em homens podem impactar os sintomas da covid-19. Ainda em fase de testes e de comprovação científica, a pesquisa procura um tratamento alternativo para pacientes do sexo masculino, mais afetados pelo vírus, segundo a Global Health 50/50. 

O experimento foi realizado nos Estados Unidos com 40 hospitalizados que foram separados em dois grupos: o primeiro teve o tratamento usual para a doença; o segundo recebeu duas injeções hormonais diárias por cinco dias. As análises revelaram uma pequena diferença na recuperação entre os grupos após uma semana. Isso porque existe a possibilidade de a progesterona ter propriedades anti-inflamatórias capazes de amenizar os sintomas, evitando danos pulmonares e a outros órgãos.

O estudo foi realizado com pacientes internados com quadros moderado e grave de coronavírus. (Fonte: Istockphoto)
O estudo foi realizado com pacientes internados com quadros moderado e grave de coronavírus. (Fonte: Istockphoto)

Segundo a organização, a pesquisa ainda necessita ser aplicada a um maior número de pessoas. Apesar disso, não deixa de ser importante para entender como o vírus afeta diferentes grupos e quais são as outras possibilidades de tratamento.

Riscos são maiores para homens

O Global Health 50/50 realizou um mapeamento mundial do vírus que apresentou dados importantes sobre sua letalidade no sexo masculino: os homens são, de longe, os mais afetados. No Brasil, 56% das confirmações de covid-19 são de homens, e o mesmo se repete em outros países; na China, eles representam 51% do total de casos, índice que chega a 64% na Índia. Na Inglaterra e na Alemanha, apesar de o número de confirmações de casos ser superior para as mulheres, os homens têm as maiores taxas de óbitos. 

(Fonte: Istockphoto)
(Fonte: Istockphoto)

A preocupação dos pesquisadores em entender as causas dessa diferença na letalidade não é de hoje. Em 1918, a gripe espanhola afetou o mesmo grupo em maior quantidade, principalmente na faixa de 20 a 40 anos, de acordo com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). As razões são diversas e podem variar entre fatores biológicos e culturais, mas a incidência de doenças crônicas como diabetes e a taxa de tabagismo também influenciam na letalidade da doença. 

Apesar dos esforços para entender por que os homens são os mais afetados, ainda não existe um consenso entre os pesquisadores, que estão sempre atentos às transformações da doença, de acordo com a revista Arco, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). 

É por isso que o tratamento pode variar dependendo da localidade, pois os hábitos de cada país são extremamente importantes e devem ser levados em consideração nos cenários de estudo, para que seja possível desenvolver alternativas efetivas de acordo com as características da sociedade em questão.

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Fonte: Global Health 50/50, UFSM, Cedars Sinai, UFRGS.

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