Covid-19: por que as crianças não estão sendo vacinadas?

13 de outubro de 2021 4 mins. de leitura
Órgãos públicos aguardam por mais pesquisas para saber possíveis efeitos adversos das vacinas nesta faixa etária

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Com diversas cidades espalhadas pelo Brasil completando a vacinação da primeira dose para a população acima dos 18 anos, resta saber qual será o direcionamento do País quanto aos menores de idade. Até o momento, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não autorizou a aplicação de nenhuma vacina contra a covid-19 em crianças.

Na faixa dos adolescentes, a situação é um pouco parecida. O único imunizante com autorização para ser aplicado entre aqueles com mais de 12 anos e menores de 18 anos é a Pfizer, que já vem sendo utilizada nessa faixa etária em algumas regiões brasileiras com vacinação mais avançada. Afinal, o que é que impossibilita a aplicação de uma vacina na população mais jovem?

Pesquisas em andamento

Anvisa negou autorização da ampliação do uso da Coronavac para crianças. (Fonte: Rafapress/Shutterstock)
Anvisa negou autorização da ampliação do uso da Coronavac para crianças. (Fonte: Rafapress/Shutterstock)

Um dos problemas que dificulta o avanço da vacinação para os grupos etários menores de 18 anos é a falta de pesquisas sobre o tema. No início de agosto, a Anvisa negou o pedido do Butantan para incluir o público na faixa de 3 a 17 anos na bula do seu imunizante, a Coronavac. 

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No mundo, a vacinação para indivíduos a partir dos 3 anos só ocorre na China e não existem informações sobre quantas crianças já foram vacinadas no país. Segundo os dados publicados pela farmacêutica Sinovac em junho na revista The Lancet, a vacina é segura e capaz de gerar resposta imune nesse público-alvo. Entretanto, ainda não foram publicados os dados da terceira fase do estudo — considerada mais ampla e assertiva.

A Pfizer, em parceria com a empresa alemã BioNTech, vem testando sua vacina contra covid-19 em pessoas menores de 12 anos desde março deste ano. A expectativa do laboratório é que a vacinação para essa faixa etária possa ser ampliada até o início de 2022.

Situação das vacinas no Brasil

Vacinação de crianças não é vista como prioridade por especialistas. (Fonte: Ira Lichi/Shutterstock)
Vacinação de crianças não é vista como prioridade por especialistas. (Fonte: Ira Lichi/Shutterstock)

Para que a vacinação possa progredir no Brasil, a Anvisa aguarda que todas as farmacêuticas autorizadas a distribuírem imunizantes pelo território brasileiro enviem novas informações sobre testes clínicos. O panorama atual se encontra da seguinte maneira:

  • Pfizer: tem autorização para aplicar imunizantes em jovens a partir dos 12 anos. Iniciou estudos para verificar a segurança de sua vacina em crianças entre os 6 meses e 11 anos. Deve ter os primeiros resultados publicados até o final de 2021;
  • AstraZeneca: a Universidade de Oxford foi uma das primeiras a anunciar um estudo da vacina na faixa etária de 6 e 17 anos. Porém, precisou suspender as pesquisas após o surgimento de casos de coágulos sanguíneos raros em adultos vacinados com o seu imunizante;
  • Coronavac: o Instituto Butantan teve o primeiro pedido de ampliação do uso emergencial do imunizante para crianças entre 3 e 17 anos negado pela Anvisa. A agência considerou os dados apresentados sobre segurança e eficácia insuficientes, tal qual o número de participantes na pesquisa;
  • Janssen: com aplicação em dose única, a Janssen, braço farmacêutico da Johnson & Johnson, tem autorização da Anvisa para realizar testes da vacina em adolescentes com idade dos 12 aos 17 anos. Entretanto, não há previsão de quando o imunizante será testado em crianças.

A vacinação de crianças não é exatamente vista como uma prioridade no Brasil visto que apenas um pouco mais de 31% da população geral está totalmente imunizada — esse número cai para 29,4% na escala mundial, segundo a Our World In Data. Em um cenário de escassez de imunizantes e em que os jovens correm menos riscos de desenvolver a forma grave da covid-19, a vacinação de crianças deve demorar mais para acontecer.  

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Fonte: The Guardian.

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