Farnesol pode prevenir e tratar doença de Parkinson

22 de agosto de 2021 3 mins. de leitura
O composto se mostrou capaz de bloquear a produção de uma proteína-chave para o desenvolvimento do distúrbio neurológico

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Pesquisadores da Johns Hopkins Medicine, nos Estados Unidos, encontraram evidências de que o Farnesol, uma substância presente em frutas, pode prevenir e reverter danos cerebrais relacionados à doença de Parkinson. A descoberta foi detalhada em um estudo com camundongos publicado na revista Science Translational Medicine.

Doença neurológica que afeta os movimentos, o Parkinson acontece quando as células produtoras de dopamina no cérebro morrem. A partir daí, podem surgir sintomas como lentidão nos movimentos, rigidez muscular, alterações na fala, confusão, demência e tremores em várias partes do corpo, que geralmente aparecem de forma gradual.

Experimentos anteriores mostraram que há o acúmulo de uma proteína denominada “Paris” nas células cerebrais. Envolvida na progressão da doença, ela retarda a produção da proteína protetora PGC-1 alfa, que evita a morte dos neurônios da dopamina, mas o seu bloqueio poderia ter o efeito contrário, beneficiando os pacientes.

Os tremores provocados pela doença podem dificultar ações da rotina e interferir na alimentação. (Fonte: Shutterstock)
Os tremores provocados pela doença podem dificultar ações da rotina e interferir na alimentação. (Fonte: Shutterstock)

Protegendo os neurônios

Um estudo conduzido pelo professor de neurologia Ted Dawson, da Johns Hopkins University School of Medicine, testou várias drogas e compostos para descobrir se alguma das opções inibiria o desenvolvimento da Paris. Entre elas estava o Farnesol, que apresentou um efeito protetor nas células cerebrais dos ratos.

A substância foi usada na alimentação de um grupo de camundongos com Parkinson durante uma semana, enquanto outro grupo recebeu a dieta regular. Os resultados mostraram que os animais tratados com o composto tiveram desempenho 100% melhor do que os demais em um teste de força e coordenação.

Ilustração mostra proteínas acumuladas em células cerebrais, causando a sua degeneração. (Fonte: Shutterstock)
Ilustração mostra proteínas acumuladas em células cerebrais, causando a sua degeneração. (Fonte: Shutterstock)

Uma análise posterior do tecido cerebral dos dois grupos indicou que os ratos tratados com a substância tinham o dobro de neurônios de dopamina saudáveis. Além disso, esse mesmo grupo tinha 55% a mais da proteína protetora PCG-1 alfa em seus cérebros, apresentando uma maior proteção contra a doença.

“Nossos experimentos mostraram que o Farnesol preveniu significativamente a perda de neurônios de dopamina e reverteu os déficits comportamentais em camundongos, indicando sua promessa como um potencial tratamento medicamentoso para prevenir a doença de Parkinson”, definiu Dawson.

Novos tratamentos

Parkinson não tem cura, mas pode ser tratada combatendo os sintomas e retardando o seu progresso, aumentando a expectativa de vida dos doentes em alguns anos. E é essa a esperança dos cientistas americanos em relação à descoberta, caso eles consigam replicar a ação natural do composto em drogas mais potentes.

Embora os resultados da pesquisa sejam promissores, os especialistas ainda precisam determinar quais são as doses seguras de Farnesol para humanos, antes de desenvolver novos medicamentos. A equipe da Johns Hopkins Medicine acredita que isso pode ser verificado em ensaios clínicos cuidadosamente controlados.

Apesar dessa dúvida, Dawson está confiante na possibilidade de que o composto seja utilizado em tratamentos inovadores, capazes de prevenir e até reverter os danos causados pela doença de Parkinson.

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Fonte: Science Translational Medicine, ScienceDaily, Parkinson’s News Today.

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