Motherly: conheça o novo app para prevenir depressão materna

22 de outubro de 2019 4 mins. de leitura
Aplicativo está sendo desenvolvido por um grupo de pesquisa da Faculdade de Medicina da USP

Depressão é um assunto que vem sendo discutido mais abertamente nos últimos tempos, e como consequência o interesse e as pesquisas também vêm crescendo, ajudando nos tratamentos.

Entre os mais afetados pela doença estão as mães: de acordo com um artigo publicado em 2016 pelo periódico The Lancet, cerca de 25% das gestantes de países desenvolvidos passam por esse problema.

Um grupo de pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) criou um aplicativo voltado para gestantes e mães conhecerem os sintomas da depressão. O Motherly busca incentivar a procura por ajuda profissional e auxiliar as mulheres com questões diárias.

Depressão materna: causas e dificuldades

É impossível, até o momento, apontar as causas exatas da depressão materna, mas todas as mudanças hormonais, fisiológicas e psicológicas são um bom palpite.

De acordo com Daniel Fatori, doutor pelo Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP) e um dos pesquisadores responsáveis pelo Motherly, fatores socioeconômicos e culturais também influenciam: “O Brasil é um dos campeões em gestação na adolescência, e isso aumenta o risco de depressão. Além de todos os fatores relacionados à pobreza, como estresse e exposição à violência”.

Mas a depressão materna não é um risco apenas para as mulheres: bebês de gestantes que tiveram depressão correm o risco de nascer abaixo do peso, ter problemas no desenvolvimento cognitivo e motor e deficit no crescimento.

Quando a depressão materna não pode ser prevenida, existem fatores que impedem o tratamento; por exemplo, muitos medicamentos não podem ser utilizados durante a gravidez e o aleitamento.

A psicoterapia é o tratamento mais indicado para essas mães, mas o valor da consulta é inviável para a maioria das pessoas, e o Sistema Único de Saúde (SUS) não disponibiliza profissionais suficientes para atender à demanda.

Prevenção e cuidado

O Motherly surge como um aliado na prevenção e nos cuidados relacionados à depressão materna. Para começar a usar o aplicativo, basta responder a algumas questões que ajudam a criar um perfil. Assim, é possível detectar sintomas logo no início e promover ações para tratar o problema.

A ideia é utilizar o que se chama de “ativação comportamental”, incentivando a mulher a fazer atividades de que gosta. O pressuposto é que quanto mais se realiza essas tarefas, mais os sintomas da depressão se atenuam.

O app ainda incentiva a prática de exercícios, monitora a qualidade do sono, auxilia a manutenção de uma alimentação saudável e dá conta da saúde da mulher como um todo. As recomendações recebidas por cada usuária são personalizadas de acordo com o perfil, e o modo de ativação comportamental só começa quando existem sintomas depressivos.

A melhor parte é poder contar com serviços profissionais, criados por pesquisadores da área: “Ao invés de ter que procurar na internet ou confiar em grupos de WhatsApp e informações de pessoas leigas, a mãe ou gestante terá acesso a conteúdo exclusivo feito pela nossa equipe de médicos, entre psicólogos, nutricionistas e outros especialistas”, diz Fatori.

De acordo com os estudos de Fatori, mesmo em regiões mais vulneráveis o uso de smartphones faz parte da rotina, e tanto mães quanto crianças interagem regularmente com os aparelhos.

Suas pesquisas se juntaram aos estudos de primeira infância do professor Guilherme Polanczyk, também do Instituto de Psiquiatria da USP. E fazem parte da equipe os psicólogos Adriana Argeu e Pedro Zuccolo, a nutricionista e educadora física Mariana Xavier e a pediatra Alicia Matijasevich.

No momento, o aplicativo está em fase de testes: 1 mil gestantes, entre 16 anos e 35 anos, estão participando do estudo, que oferece duas versões do aplicativo (uma mais interativa e uma mais informativa), para saber o que pode ser implementado, retirado ou melhorado.

O Motherly tem a intenção de acompanhar as mães durante os nove 9 de gestação até 3 meses após o nascimento, mas os estudos e as pesquisas não param por aí: o grupo quer continuar trabalhando para que o aplicativo possa ir mais longe, atendendo a mães de crianças de até 4 anos de idade, garantindo mais saúde para as famílias.

Fontes: The Lancet, Jornal da USP.

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