Novo modelo hospitalar promete revolucionar área da saúde

16 de março de 2020 4 mins. de leitura
O surgimento de hospitais descentralizados surge após problemas com o sistema de saúde atual nos Estados Unidos

Um estudo publicado pelo Jornal Americano de Saúde Pública (AJPH), em 2019, apontou que dois terços dos cidadãos americanos citaram as despesas médicas como principal fator desencadeador de falência. Ao contrário do Brasil, os Estados Unidos não oferecem opções de atendimento médico gratuito que seja subsidiado pelo governo. Com atendimentos hospitalares cada vez mais caros, os americanos começaram a buscar alternativas para transformar o sistema de saúde do país.

Entre os críticos, há quem acredite que o modelo atual, com a centralização dos atendimentos nos grandes hospitais, seja ultrapassado. Esse é o caso de Dan Paull, CEO da Easy Ortophedics, empresa com sede em Colorado Springs cujo objetivo é aumentar a conexão entre médico e paciente. Em entrevista para o portal Healthline, Paull descreveu a atual indústria médica americana como prejudicial aos pacientes e profissionais da área da saúde.

Além das dificuldades financeiras relacionadas ao atual modelo do sistema de saúde norte-americano, a centralização de vários segmentos em um único lugar — como é feito nos grandes hospitais — oferece um grande risco à saúde de quem frequenta esses ambientes. De acordo com dados do Centro Federal para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, cerca de 75 mil pessoas morrem todos os anos em decorrência de infecções hospitalares.

Tratamento descentralizado

(Fonte: Pixabay)

O objetivo principal de descentralizar os atendimentos médicos dos hospitais é justamente evitar que os pacientes passem tempo desnecessário em um ambiente onde correm risco de contrair novas infecções ou doenças. Em diversos casos, o tratamento não demanda acompanhamento médico 24 horas, por exemplo: centros de imagem, fisioterapia e diálise não requerem que a pessoa passe a noite inteira no local.

Dessa forma, surgem modelos hospitalares inovadores em relação à estadia dos pacientes. A cidade de Cleveland inaugurou, em 2016, o Metrohealth System, uma unidade hospitalar sem leitos. A construção de US$ 48 milhões contém todas as funções de um hospital tradicional, com salas de infusão e emergência, exceto a opção de leitos para o período noturno.

Além de reduzir consideravelmente as despesas do hospital, esse modelo de atendimento médico permite aos pacientes serem atendidos de forma mais ágil e retornarem a suas casas o mais rápido possível.

Em 2018, um terço dos US$ 3,8 trilhões dos gastos com a saúde americana foi alocado em hospitais no país segundo os dados da Kaiser Family Foundation. A revolução e realocação da verba no sistema de saúde desses espaços-chave podem contribuir para que a população estadunidense tenha maior acesso a um tratamento médico de qualidade.

Auxílio de novas tecnologias

(Fonte: Pixabay)

A introdução de novas tecnologias no sistema de saúde é outro fator importante para a compreensão da transformação do cotidiano em hospitais pelo mundo. Em 2018, o Conselho Federal de Medicina no Brasil regulamentou um serviço de solicitação de atendimento médico domiciliar via aplicativo.

Apelidado de “Uber da medicina”, esse tipo de serviço permite aos pacientes uma maior agilidade no tratamento, desde que a empresa fornecedora do serviço esteja alinhada e autorizada pelo Conselho Regional de Medicina (CRM) de sua região.

Localizado no Missouri (Estados Unidos), o Mercy Hospital’s Virtual Care Center utiliza chamadas de vídeo para atender as pessoas. Pelo contato virtual com médicos e enfermeiros, os pacientes que residem longe de uma unidade de saúde podem receber orientação em pouco tempo, reduzindo os gastos do processo. Esse serviço disponibiliza atendimento mesmo para casos mais complexos e de doenças crônicas.

No âmbito empresarial, a assistência médica a distância também ganha força. Em 2019, a Amazon lançou um programa protótipo chamado Amazon Care, onde os funcionários da área de Seattle poderiam agendar atendimento médico domiciliar por meio da rede da empresa.

Em parceria com o braço “Oasis Medical“, a Amazon consegue oferecer apoio clínico para pacientes em vacinação, casos de gripe, alergias e infecções. Além disso, o dispositivo também permite aos funcionários que recebam suporte com discrição e garantia de sigilo médico.

Fontes: Home Health Care, Agência Brasil, Healthline, Hopkins Medicine, PebMed.

Gostou? Compartilhe!