Novos protocolos de saúde para segurança da população

30 de outubro de 2020 4 mins. de leitura
Especialistas apontam ações que ajudaram a mitigar problemas e ressaltam a importância de cuidados

Os impactos da pandemia da covid-19 em todas as áreas da sociedade são discutidos há meses, e a manutenção de medidas que garantam a integridade de profissionais da saúde é uma preocupação constante das instituições, uma vez que, sem eles, não há tratamento e atenção a infectados. 

Logo, a chegada do novo coronavírus continua afetando o dia a dia de médicos e enfermeiros. Por estarem na linha de frente do combate à doença, esforços gigantescos foram empregados para que tudo corresse da melhor maneira possível neste cenário de crise. 

Sendo assim, o último encontro do Summit Saúde 2020 reuniu especialistas para abordar um tema mais que atual: a adoção de novos protocolos em hospitais e clínicas com foco na segurança de todos.

No painel, foi salientado o fato de que os riscos estão longe de acabar, e, ao contrário do que muitos pensam, nem estão diminuindo, havendo, inclusive, a ameaça de uma nova onda de contaminações, o que coloca a sobrecarga de sistemas de saúde como uma ameaça. 

Paulo Chapchap, diretor-geral do Hospital Sírio-Libanês, em uma análise do início do cenário, explica que em janeiro, momento em que surgiram os primeiros casos no exterior, foram feitos alertas internos do que poderia acontecer no Brasil – e que ações foram tomadas já em fevereiro. 

“A instalação efetiva de um comitê de crise (responsável por estabelecer uma estratégia de comunicação única para evitar inconsistências), depois de toda essa preparação inicial, aconteceu em 13 de abril”, complementa. 

Logo depois disso, indicadores foram seguidos à risca e produzidos duas vezes ao dia, informando sobre disponibilidade de leitos, equipamentos, equipes e afins. O hospital, aponta, foi dividido em três áreas. “Proteger em primeiro lugar, proteger em segundo lugar, proteger em terceiro lugar”, ressalta Chapchap.

Esforços foram – e são – empregados para proteger todos os públicos. (Fonte: Shutterstock)
Esforços foram – e são – empregados para proteger todos os públicos. (Fonte: Shutterstock)

Segurança e comunicação

Para pacientes portadores de doenças crônicas, a exemplo do câncer, a situação foi ainda mais complicada. Diogo Assed Bastos, médico oncologista do Icesp e do Hospital Sírio-Libanês, destacou que a carência de informações aumentou a demanda das instituições, uma vez que aqueles com tratamentos em curso ficaram abalados, cabendo aos profissionais analisarem cada caso e balancearem os riscos e os benefícios de postergar procedimentos. 

Todas as medidas, salienta, visavam garantir a segurança e a continuidade efetiva do que fosse extremamente necessário. “Gradualmente, conseguimos implementar protocolos de segurança para que [pacientes] pudessem continuar seus tratamentos”, diz Assed – o que envolveu contato constante com o público afetado.

Héber Salvador, cirurgião oncológico e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, afirma que, devido ao receio das pessoas de comparecerem às instituições de saúde, estamos vivendo uma “pandemia dentro de uma pandemia” – e que, em um país de dimensões continentais como o Brasil, a atenção deve ser individualizada por área, já que diferentes regiões enfrentam diferentes questões.

Portanto, no caso da oncologia, foi preciso iniciar uma triagem dos pacientes para postergar casos que poderiam ser postergados e priorizar aqueles que teriam prejuízos considerados irreparáveis se não atendidos.

Muitos deixaram de procurar atendimento por falta de segurança ou desinformação. (Fonte: Shutterstock)
Muitos deixaram de procurar atendimento por falta de segurança ou desinformação. (Fonte: Shutterstock)

É preciso mais

José Branco, diretor executivo do Instituto Brasileiro de Segurança do Paciente, indica que é preciso aplicar um gerenciamento mais efetivo dos recursos, já que, apesar de exemplos como campanhas de higienização constante das mãos poderem ser aliviados, balancear leitos e estar preparado para novas demandas crescentes é uma necessidade. “Falta comunicação clara. A sociedade civil tem que participar disso, tem que pressionar o sistema”, defende.

A realidade dos profissionais de enfermagem é outro ponto a ser discutido, pois, segundo Tânia Ortega, membro avaliador da Comissão Nacional da Qualidade do Conselho Federal de Enfermagem (Confen), a pandemia “tirou o véu de uma dura realidade” da área e ressalta a importância de treinamentos para uso adequado de EPIs e fornecimento desses equipamentos, assim como a expansão de equipes, que sofrem com faltas de até 70% de profissionais.

Por fim, entre os legados da pandemia, alguns foram destacados pelos especialistas: aprendizado, compreensão da importância da manutenção da segurança de profissionais para garantir a segurança de pacientes (envolvendo EPIs e atendimento assistencial) e internalização do respeito ao próximo. Sendo assim, novos hábitos cabem, também, à sociedade como um todo, se o objetivo é superarmos os problemas que enfrentamos.

Fontes: Summit Saúde 2020, Shutterstock.

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