Preconceito afeta a saúde cardíaca de pessoas LGBTQ

3 de junho de 2021 4 mins. de leitura
American Heart Association revisou dados de outros estudos e sugeriu ações para melhorar a saúde LGBTQ

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Uma nota técnica da American Heart Association revisou resultados de estudos anteriores sobre o impacto da discriminação na saúde cardíaca de pessoas LGBTQ e sugeriram mudanças para melhorar esse cenário. 

Um dos primeiros pontos levantados pelo texto é a falta de pesquisas e dados específicos sobre a saúde das minorias — já que essas informações não costumam ser perguntadas em formulários médicos ou pesquisas de saúde. 

Além disso, o autor principal da nota técnica, Billy A. Caceres, da Universidade de Columbia, pontua que os estudos existentes costumam focar em homens gays brancos e cisgênero, ou seja, pessoas que não são trans e se identificam com o gênero em que nasceram. 

Ainda assim, há diversos dados que permitem inferir que a saúde de indivíduos LGBTQ é menos favorecida e que a discriminação é um fator importante para esse cenário. Para começar, 56% dos adultos LGBTQ e 70% das pessoas transgêneros relataram ter sofrido algum tipo de preconceito em serviços de saúde — como agressividade ou uso de linguagem inapropriada. 

Mais da metade das pessoas LGBTQ já sofreu algum tipo de discriminação em serviços de saúde. (Fonte: Pexels)
Mais da metade das pessoas LGBTQ já sofreu algum tipo de discriminação em serviços de saúde. (Fonte: Pexels)

Preconceito afeta prevenção e cuidados primários

Nesse contexto, Caceres afirma que “as pessoas LGBTQ estão adiando seus cuidados primários e visitas preventivas aos serviços de saúde porque há um grande medo de ser tratado diferente”. 

Em um artigo de 2019 sobre esse tema, a American Heart Association ponderou que, se essas pessoas não frequentam médicos ou hospitais, elas deixam de diagnosticar e tratar problemas de saúde que podem se tornar mais graves. Desde uma hipertensão, que causa uma insuficiência cardíaca anos depois, até um exame que poderia detectar um câncer em estágio inicial. 

Essa conjuntura é ainda mais grave para LGBTQs que também fazem parte de minorias étnico-raciais, já que esses indivíduos costumam ter menos acesso aos serviços de saúde por sua condição socioeconômica. 

Além disso, é importante observar que os integrantes de minorias já lidam com questões ligadas à discriminação dentro da própria família, no convívio social e profissional — o que aumenta o estresse. 

Em vista disso, de acordo com os autores da nota técnica, é sensato afirmar que as minorias de sexualidade e gênero têm a saúde cardíaca afetada pela discriminação que sofrem na sociedade, a qual é estendida aos serviços de saúde. 

A saúde é ainda mais afetada pelo preconceito para pessoas LGBTQ de outras minorias étnico-raciais (Imagem: Armin Rimoldi/Pexels)
A saúde é ainda mais afetada pelo preconceito para pessoas LGBTQ de outras minorias étnico-raciais. (Fonte: Pexels)

Profissionais de saúde precisam estar preparados

Outros dados, de pesquisas anteriores, que a American Heart Association cita em sua nota técnica corroboram esse pensamento. Pessoas LGBTQ costumam assumir comportamentos de risco para doenças cardíacas, como fumar ou beber em grandes quantidades. 

As mulheres transexuais, em especial, correm risco também por fatores clínicos, como o uso de hormônios. Por fim, o texto também cita dados de 2018 que demonstram que gays, lésbicas e bissexuais têm 36% a menos de chance de ter uma boa saúde cardiovascular.

As conclusões são que, em primeiro lugar, mais estudos são necessários para entender a extensão dos danos à saúde cardíaca da população LGBTQ, principalmente em pessoas que fazem parte também de outras minorias. 

Além disso, temas ligados a essas populações precisam ser incluídos na preparação dos profissionais da área da saúde. Dessa forma, 80% dos estudantes de Medicina ouvidos em uma pesquisa de 2018 afirmaram que não se sentem preparados para cuidar de pessoas transgêneros, por exemplo. 

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Fonte: American Heart Association.

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